China apoia entrada do Irã em discussões sobre a Síria

A China manifestou nesta quarta-feira apoio à proposta do mediador internacional Kofi Annan para que o Irã seja incluído nas discussões a respeito da crise na Síria, ideia que enfrenta forte oposição ocidental.

DOUGLAS HAMILTON, Reuters

11 de julho de 2012 | 09h37

"A China acredita que a resolução apropriada da questão da Síria não pode ser separada dos países na região, especialmente o apoio e a participação daqueles países que são influentes sobre as partes relevantes na Síria", disse em Pequim o porta-voz da chancelaria chinesa, Liu Weimin.

A China e a Rússia, que têm poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, vetaram todas as tentativas dos EUA e de seus aliados para pressionarem o presidente da Síria, Bashar al-Assad, que há 16 meses reprime com violência uma rebelião contra o seu governo.

Ativistas relataram na quarta-feira um novo bombardeio em áreas rebeldes de Homs e combates em muitas outras partes do país.

Annan deve falar ao Conselho de Segurança nesta quarta-feira às 12h30 (horário de Brasília), para apresentar os resultados das suas visitas desta semana a Damasco, Teerã e Bagdá -- três capitais que formam um "eixo xiita" de poder no Oriente Médio.

O Irã apoia fortemente Assad, que pertence à seita minoritária alauita (uma variação do islamismo xiita) e enfrenta a oposição da maioria sunita.

Annan propôs na terça-feira que o Irã participe das tentativas de retomar o processo de paz da Síria, iniciando as discussões para uma transição política. O governo iraquiano também apoiou essa proposta.

Já os EUA viram a ideia de Annan com ceticismo. "Não acho que ninguém possa argumentar seriamente que o Irã tem tido um impacto positivo sobre o desenrolar dos fatos na Síria", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Rússia e China são contra qualquer tentativa externa de alterar o equilíbrio de forças na Síria e forçar a saída de Assad. Na busca por mais influência no diálogo internacional, Moscou propôs na terça-feira sediar reuniões regulares de um "grupo de ação" que poderia incluir a oposição síria.

(Reportagem adicional de Ben Blanchard em Pequim, Michelle Nichols na ONU e Mariam Karouny em Beirute)

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