China condena executivos da Rio Tinto a penas de 7 a 14 anos

Um tribunal chinês sentenciou na segunda-feira quatro funcionários da mineradora Rio Tinto a penas de 7 a 14 anos de prisão por receberem subornos e roubarem segredos comerciais.

LUCY HORNBY E RUJUN SHEN, REUTERS

29 de março de 2010 | 11h21

A Austrália, onde fica a sede da Rio Tinto, disse que a sentença foi dura, mas já era esperada diante das provas apresentadas, e que o caso não irá abalar suas relações com Pequim.

A Corte Intermediária do Povo de Xangai disse que Stern Hu, cidadão australiano de origem chinesa que dirigia as operações de minério de ferro da Rio Tinto na China, irá cumprir 10 anos de prisão, já que parte da pena de 7 anos por corrupção e de 5 anos por roubo de segredos comerciais serão cumpridos concomitantemente.

Os três outros executivos, todos cidadãos chineses, foram sentenciados a penas de 7 a 14 anos. Todos os quatro foram demitidos na segunda-feira da Rio Tinto.

Os réus, presos em julho durante as negociações anuais sobre o preço do minério de ferro, receberam o veredicto de pé, vestindo casacos esportivos.

O tribunal disse que eles ajudaram a obter informações de reuniões sigilosas da Associação de Ferro e Aço da China (Cisa), que representava as grandes siderúrgicas chinesas nas negociações com as mineradoras Rio Tinto, BHP Billiton e Vale.

As ações da Rio Tinto quase não foram afetadas pela sentença. Um executivo da mineradora divulgou nota dizendo que o processo "mostrou além de qualquer dúvida que os quatro empregados condenados haviam aceitado subornos", e que "ao fazê-lo adotaram um comportamento deplorável, que é totalmente contrário à nossa forte cultura ética".

"A Rio Tinto concluiu que as atividades ilegais foram conduzidas totalmente fora dos nossos sistemas", acrescenta a nota assinada por Sam Walsh, diretor-executivo minério de ferro da Rio Tinto.

O chanceler australiano, Stephen Smith, admitiu que há evidências de corrupção no caso, mas disse que "é uma sentença dura para os padrões australianos, (mas) no que diz respeito à prática chinesa de sentenças, está dentro do âmbito ou dentro do espectro."

"Não acredito que a decisão (...) terá qualquer impacto substancial ou mesmo quaisquer implicações adversas para a relação bilateral da Austrália com a China", acrescentou.

(Reportagem adicional de Chen Aizhu em Pequim e Fang Yan em Xangai)

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