China cria lista ''non-grata'' para Olimpíadas

Inteligência chinesa cria lista de possíveis manifestantes que serão barrados no país.

Marina Wentzel, BBC

25 Julho 2007 | 09h20

Os serviços de inteligência chinesa preparam uma lista de estrangeiros que não serão bem vindos ao país durante os Jogos Olímpicos de 2008, por serem potenciais "manifestantes" aos olhos das autoridades locais. Espiões e consultorias contratadas pelo governo estão reunindo informações sobre ativistas do mundo todo que podem tentar organizar protestos durante as Olimpíadas. As autoridades pretendem investigar a fundo alguns desses indivíduos e impedir a entrada deles no país. O Partido Comunista quer ter certeza de que a imprensa internacional que estará cobrindo os jogos não testemunhará manifestações que possam prejudicar a imagem da China, como foi o caso dos protestos da praça da Paz Celestial em 1989. Os principais alvos da campanha são organizações não governamentais que lutam pela liberdade religiosa, proteção ao meio-ambiente, respeito aos direitos humanos e o fim da crise de Darfur, no Sudão (país onde a China tem grandes investimentos em petróleo). "É surpreendente. Não esperávamos isso das autoridades" disse à BBC Brasil Mark Allison, pesquisador especialista em China do escritório da organização Anistia Internacional em Hong Kong. Ele acredita que a medida se baseia em motivos "errados". Segundo Allisson, Pequim está promovendo uma forte campanha de "limpeza" da cidade para que não haja dissidentes pelas ruas durante os jogos. Ele acredita que a lista de personae non gratae é apenas mais uma das muitas ações das autoridades para passar ao mundo uma idéia de que existe uma sociedade mais harmônica na China. "As próprias autoridades foram as primeiras a associar as Olimpíadas ao respeito aos direitos humanos nas promessas de reformas que fizeram quando ganharam a candidatura", criticou Allison. "Mas agora o que vemos é utilizarem os jogos como desculpa para suprimir os direitos humanos." "Pessoas estão sendo mantidas em prisão domiciliar ou em campos de trabalho forçado sem julgamento além do tempo necessário só para garantir que não vão estar por perto na época dos jogos." A elaboração da lista é um dos maiores levantamentos de inteligência já feito pelo país sobre membros de ONGs estrangeiras. Parte da coleta de informações está sendo conduzida pelo Instituto de Relações Internacionais Contemporâneas, uma consultoria ligada ao Ministério da Segurança Nacional que dispõe de uma força-tarefa exclusiva para assuntos relacionados às Olimpíadas. Os corpos consulares e missões diplomáticas da China no mundo todo também deverão contribuir para a seleção dos nomes dos visitantes indesejáveis. Não foi divulgado quando a lista ficará pronta, nem se ela será anunciada à imprensa. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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