China diz que enfrenta 'luta de vida ou morte' no Tibete

Imprensa estatal chinesa afirma que mais de cem manifestantes se renderam após o prazo do governo

Da BBC Brasil,

19 de março de 2008 | 03h55

O governo da China disse nesta quarta-feira, 19, que está empenhado em uma luta de vida ou morte no Tibete. Pequim afirmou ainda que 105 manifestantes que participavam de protestos contra a China na capital do Tibete, Lhasa, "se entregaram à polícia" na terça-feira, segundo a imprensa estatal chinesa.   Veja também: Ativista é julgado por ''subversão'' e ''insurreição'' Protestos pelo 'Tibete livre' se espalham na China Dalai-lama pode renunciar se violência se agravar no Tibete Conselho da ONU deve manter silêncio sobre crise no Tibete Entenda os protestos no Tibete   "Nós estamos em meio a uma feroz luta envolvendo sangue e fogo, uma luta de vida ou morte com o 'Bando do dalai-lama'", disse o secretário do Partido Comunista do Tibete, Zhang Qingli, em uma teleconferência de líderes regionais.   De acordo com a agência de notícias estatal Xinhua, os manifestantes se entregaram ao fim do prazo estabelecido pelas autoridades chinesas para que se rendessem ou enfrentassem as punições a que estariam sujeitos. O governo chinês afirmou que vai punir severamente os manifestantes que não se renderem. Segundo ativistas, a polícia chinesa está vasculhando as casas em Lhasa e prendendo os participantes dos protestos.    O governo tibetano no exílio desmentiu a informação sobre as rendições  e denunciou que foram presos "arbitrariamente casa por casa". A China quer enviar a mensagem ao mundo de que os tibetanos estão se rendendo voluntariamente", declarou à um porta-voz da Administração Central Tibetana, com sede na cidade indiana de Dharamsala, Sonam N. Dagpoo. Ele afirmou que a polícia está realizando prisões "arbitrárias casa a casa" e detém monges budistas, tanto homens como mulheres.   Dalai-lama Na terça-feira, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, acusou o dalai-lama, líder espiritual do Tibete que vive no exílio, de incitar a atual onda de violência. Em resposta, o dalai-lama negou a acusação e pediu o fim dos protestos violentos. Durante a entrevista em Dharamsala, na Índia, onde vive exilado, o dalai-lama sugeriu que os protestos contra a China saíram de controle e ameaçou deixar o posto de chefe do governo tibetano no exílio. O dalai-lama tem sustentado que não defende a independência do Tibete, mas sim um grau maior de autonomia que garanta a sobrevivência das tradições culturais e religiosas dos tibetanos. Depois dos confrontos de sexta-feira, o dalai-lama também disse ser contra o boicote da Olimpíada de Pequim.Paralelamente, a censura chinesa apertou o cerco aos sites na internet e bloqueou o acesso a vários deles. O YouTube, que trouxe imagens dos confrontos do Tibete, saiu do ar no domingo e continuava bloqueado ontem. Como ocorre sempre, sites ligados a entidades de defesa de direitos humanos também não podiam ser acessados na China. var keywords = ""; A atual onda de protestos no Tibete começou no último dia 10, como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês. Os protestos já são considerados os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos e se espalharam para províncias próximas da região do Himalaia, como Gansu, Qinghai e Sichuan. Segundo o governo chinês, 16 pessoas foram mortas por manifestantes em Lhasa, a capital do Tibete. No entanto, tibetanos que vivem no exílio disseram que pelo menos 99 pessoas foram mortas em confrontos com as forças de segurança chinesas durante a repressão aos protestos.  Acesso aos prisioneiros  A imprensa estrangeira está impedida de entrar em Lhasa e o fluxo de informações que sai do Tibete é controlado pelo governo chinês. No entanto, grupos de defesa dos direitos humanos afirmam ter notícias de diversas prisões. O Human Rights Watch, com sede nos Estados Unidos, pediu em um comunicado que a China permita que observadores independentes tenham acesso aos presos. O governo chinês diz que a repressão aos protestos foi moderada e de acordo com a lei, mas grupos de defesa dos direitos humanos acusam as forças de segurança chinesas de violência. Na terça-feira, ativistas tibetanos divulgaram imagens que, segundo eles, confirmam a alegação de que as forças chinesas agiram com brutalidade na repressão aos protestos. Segundo os ativistas, as imagens mostram manifestantes mortos pelas forças de segurança chinesas no mosteiro de Kirti, na província de Sichuan, no domingo. A BBC, porém, não conseguiu confirmar a veracidade dessas alegações. Uma representante da embaixada da China em Londres, Yu Jing, afirmou que é "difícil julgar a partir das imagens", mas que, caso elas sejam verdadeiras, haverá uma explicação. Segundo Yu, há informações de que a delegacia de polícia local foi atacada e as autoridades chinesas estão verificando essas alegações.   (Com Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo e Efe)   Matéria atualizada às 9 horas.   Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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