China e Brasil fecham acordos mas não falam sobre iuan

A presidente Dilma Rousseff não fez reclamações sobre a questão do iuan durante reunião com o presidente da China, Hu Jintao, nesta terça-feira, mas saiu do encontro com um acesso maior ao mercado chinês e promessas de investimento que podem aliviar as tensões comerciais.

RAYMOND COLITT, REUTERS

12 de abril de 2011 | 10h52

As manufatureiras brasileiras têm reclamado que a moeda chinesa está muito depreciada, prejudicando sua competitividade e dando às indústrias da China uma vantagem injusta.

Mas, apesar de ter sinalizado que poderia tocar no assunto, Dilma não discutiu a disputa cambial com Hu durante o encontro em Pequim, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

"Não, não foi (discutido)", disse Pimentel a jornalistas ao ser perguntado se a questão do iuan havia sido mencionada.

A ausência do assunto pode ser considerada uma vitória para a China, que tem resistido à pressão internacional para elevar o valor do iuan.

Mas Dilma conseguiu fechar uma série de acordos comerciais no primeiro dia de sua visita à China. Pimentel disse que empresas chinesas fecharam acordos de investimentos para projetos no Brasil que chegam a 1 bilhão de dólares, além do acordo de compra de 35 jatos comerciais médios fabricados pela Embraer, anunciado mais cedo.

A presidente disse que as relações de comércio bilateral precisam de um salto qualitativo para serem sustentáveis.

"As exportações brasileiras para a China ainda estão excessivamente concentradas em produtos como soja, minério de ferro, petróleo e celulose. Isso é bom, mas não é o bastante", disse Dilma em encerramento de seminário empresarial Brasil-China.

"São todos produtos importantes, cuja exportação queremos incrementar, agregando a eles valor. É necessário, no entanto, diversificá-los para que a expansão do comércio bilateral seja sustentável."

O comunicado conjunto de Dilma e Hu também não mencionou a questão da moeda, e fez pouco progresso em obter apoio da China a um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Sobre esse tema, a China disse apenas apoiar "as aspirações (do Brasil) por um papel mais proeminente nas Nações Unidas".

RELACIONAMENTO DESEQUILIBRADO

A visita de cinco dias de Dilma à China, iniciada na terça-feira, tem o objetivo de garantir mais concessões no que muitos brasileiros consideram uma relação desequilibrada de comércio e investimento entre as maiores economias da América Latina e da Ásia.

O Brasil deseja, particularmente, ganhar mais investimento e acesso ao mercado chinês para produtos com valor agregado. No ano passado, 83 por cento das exportações brasileiras à China foram de produtos básicos, enquanto 98 por cento das importações foram de produtos manufaturados.

Uma das conquistas de Dilma foi um pedido de empresas aéreas chinesas, incluindo a China Southern, por jatos Embraer, cujo valor unitário é de cerca de 40 milhões de dólares, disse o CEO da fabricante brasileira, Frederico Curado, durante evento em Pequim.

Separadamente, a joint venture da Embraer na China, a Harbin Aircraft Ltd, obteve uma permissão de autoridades chinesas para montar o jato comercial da empresa, o Legacy 600.

Outros acordos anunciados durante a visita de Dilma incluem centros de pesquisa e desenvolvimento em Goiás e São Paulo, cada um no valor de 300 milhões de dólares.

O frigorífico Marfrig investirá 250 milhões de dólares em seis centros de distribuição na China.

A Petrobras fechou acordos de transferência de tecnologia com a Sinopec e a Sinochem para desenvolver as reservas de petróleo do pré-sal e aumentar a produção em reservas maduras, respectivamente.

Dilma deve se reunir com outras autoridades chinesas na quarta-feira antes de participar de reunião de cúpula do Brics, grupo que reúne também Rússia e Índia, além do novo membro África do Sul.

(Reportagem adicional de Chris Buckley e Michael Martina)

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