China enfrenta 'falta de esperma para fertilização artificial'

10% dos casais chineses não conseguem ter filhos; um terço dos insucessos se deve à infertilidade masculina

Marina Wentzel,, BBC

30 Julho 2007 | 10h42

Apesar da restritiva política de natalidade, muitos casais procuram tratamentos de fertilização na China e sêmen está em falta no país. As doações de universitários têm ajudado a suprir a demanda, mas não são suficientes, segundo uma autoridade do banco de sêmen de Pequim ouvida pelo jornal estatal China Daily. "Os universitários estão mais dispostos a ajudar", disse Chen Zhenwen, diretor do banco de sêmen afiliado à Comissão Nacional de População e Planejamento Familiar, órgão estatal que supervisiona a política de natalidade do país. Segundo Chen, mitos como a crença de que "uma gota de sêmen equivale a dez gotas de sangue" contribuem para a falta de doadores. Pessoas com melhor nível de instrução estariam mais dispostos a participar por não acreditarem em crendices, explica Chen. "Muitos deles (os doadores) são voluntários olímpicos", revela. Os voluntários olímpicos são chineses de bom nível social que falam línguas estrangeiras e foram recrutados para dar boas vindas aos visitantes durante os jogos do ano que vem. Desde 2005, quando o banco de esperma entrou em funcionamento, centenas de universitários já doaram seu material genético, afirma Chen sem precisar um número. Cerca de 10% dos casais chineses não conseguem ter filhos e em um terço dos casos o insucesso se deve à infertilidade masculina, de acordo com o jornal. Apesar de poderem ter apenas um filho e a concepção ser fortemente desestimulada no país, muitos casais vão em busca de tratamentos para se certificarem de que vão conseguir produzir o único herdeiro a que têm direito pela lei. Atualmente na China existem 10 bancos de esperma e 88 clínicas de inseminação artificial, que oferecem tratamento de fertilização in-vitro (IVF, na sigla em inglês). De acordo com o Ministério da Saúde da China, cada doação pode dar origem a até cinco gravidezes e os bancos pagam em média 2000 iuan (R$508) por recipiente. Mas segundo o China Daily não é fácil ser aceito como doador. "Ao contrário do que muitos podem pensar, doação de esperma não é simplesmente entrar numa clínica, ter cinco minutos de prazer consigo mesmo e entregar a felicidade em um potinho à enfermeira", diz o jornal. Os interessados precisam passar por uma série de testes para detectar doenças sexualmente transmissíveis, doenças infecciosas ou problemas genéticos, explica a reportagem. "Nós doamos sangue e medula, por que então não podemos doar esperma, no final das contas estamos ajudando casais a realizar seus sonhos", argumenta o estudante Xiao Wang (nome fictício). Mas apesar da atitude confiante, o jovem Xiao admitiu não ter tido coragem de contar à namorada que é um doador. Exatamente por ser uma nação de filhos únicos é que os chineses valorizam tanto a paternidade e chegam a se submeter a tratamentos de fertilização, se necessários para atingir esse objetivo. Em vigor desde o fim dos anos 70, estima-se que a política que estabelece um filho por casal tenha evitado o nascimento de mais de 400 milhões de pessoas. Atualmente, a população da China é de 1,3 bilhão de habitantes. Estatísticas oficiais prevêem que em 2033 este número chegará a 1,5 bilhão, atingindo o auge da expansão populacional, e que a partir de então ocorrerá um declínio.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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