China enfrenta gigantesca crise de saúde no campo

Não há estatísticas oficiais, mas pela maior parte das estimativas, quase duas décadas de negligência deixaram a China face a face com uma monumental crise de saúde no meio rural. Até 90% dos 800 milhões de chineses que moram no campo não têm acesso a tratamento médico. Crianças não são vacinadas. Portadores do HIV têm acesso gratuito a drogas antirretrovirais, mas não podem pagar o necessário acompanhamento médico e outros remédios."A maioria das pessoas no meio rural não vai ao médico quando fica doente simplesmente por não ter como pagar", diz Zhang Deyuan, especialista em questões rurais da Universidade Anhui. Após anos de abandono, as autoridades prometem reconstruir o sistema de saúde rural, destruído com o colapso das cooperativas agrícolas e 20 anos de reformas econômicas.Questões sobre como melhorar a vida nas regiões agrícolas deverão dominar a reunião anual do Parlamento chinês, que começa no domingo. Um plano, divulgado nesta semana pelo gabinete de governo, declara a saúde no campo uma prioridade nacional. O pacote prevê investimento de 9 bilhões de yuans (US$ 1,1 bilhão) num sistema nacional de cooperativas médicas que, espera-se, poderão garantir tratamento para todos no campo.O desafio, diz Ray Yip, diretor da sucursal em Pequim do órgão público americano dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças, quando até mesmo os serviços urbanos de saúde penam com falta de verba e médicos complementam seus ganhos receitando remédios desnecessários e pedindo exames inúteis.

Agencia Estado,

03 de março de 2006 | 17h56

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