China exibe influência em reuniões com Brasil, Espanha e Grécia

A importância crescente da China na economia mundial foi exibida nesta terça-feira, com o anúncio feito por um ministro grego de que Pequim ajudará o país em sua crise da dívida e com a compra por empresas chinesas de jatos da Embraer.

SIMON RABINOVITCH, REUTERS

12 de abril de 2011 | 07h20

Vários líderes estrangeiros estão em Pequim esta semana para a cúpula do Brics --grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul-- e o fórum econômico Boao, na cidade de Hainan (sul do país).

Antes mesmo do inícios dos eventos, uma série de encontros bilaterais importantes estavam previstos para esta terça, com a presença da presidente Dilma Rousseff, do premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e do ministro do Investimento grego, Harris Pamboukis, em Pequim.

As visitas revelam a variedade de países que veem a China do pós-crise como um importante parceiro e concorrente.

O Brasil é um grande beneficiário do apetite voraz chinês por commodities, mas a industria brasileira tem sofrido as consequências das importações de manufaturados chineses.

Esse será o pensamento da presidente Dilma nas negociações para tentar convencer Pequim a adquirir bens de maior valor agregado do Brasil em vez de apenas comprar commodities, além de abordar o assunto do iuan desvalorizado.

Num acordo que aparenta ir em linha com as ambições brasileiras, companhias aéreas chinesas fizeram pedidos de compra por 35 jatos da Embraer nesta terça.

Na outro ponta estão países como Espanha e Grécia, com uma montanha de dívidas, que recorrem à Pequim como potencial comprador de títulos do governo.

Essa esperança foi ressaltada pelo ministro do investimento grego Pamboukis, em entrevista ao jornal chinês 21st Century Business Herald, publicada também nesta terça.

"A compra pela China dos títulos gregos vai ajudar nossa economia a superar a crise e recuperar a confiança no mercado internacional", disse ele ao jornal. "Também vai ajudar a estabilizar a zona do euro. Uma zona do euro estável também ajudará a estabilizar a economia chinesa."

Reportagens na mídia de Espanha e Portugal também disseram que a China estava disposta a comprar entre 4 e 6 bilhões de euros de títulos da dívida de cada país, mas essas informações não foram confirmadas por Pequim.

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