China nega foco de variante do vírus da gripe aviária

A principal autoridade veterinária daChina negou categoricamente o surgimento, no sul do país, deuma variante do vírus da gripe aviária mais resistente às vacinas,como anunciaram, num relatório, cientistas dos Estados Unidos e deHong Kong. "Os dados utilizados no artigo não são verdadeiros. Seu método depesquisa não é científico e as suas conclusões não estãofundamentadas, vão completamente contra os fatos", afirmou, ementrevista coletiva, Jia Youling, diretor do departamento veterináriodo Ministério de Agricultura. O polêmico relatório, que revoltou as autoridades chinesas, foipublicado na semana passada na revista Proceedings of the NationalAcademy of Sciences, e anunciava o aparecimento de uma nova versão do vírus, batizada de "variante deFujian". A cepa recebe o nome da província do sul da China onde foidescoberta, em março de 2005. Segundo os cientistas, o novo tipo, achado em gansos e patos demercados chineses, é uma mutação, resistente ao programa chinês devacinação. De Fujian, teria passado a outras regiões do sul do país,além de Hong Kong, Laos, Tailândia e Malásia. "Não há nada que se pareça com uma variante de Fujian", ressaltouJia. Ele negou que o atual surto de gripe aviária no sudeste asiáticotenha sido causado pela suposta nova variante, que poderia causaruma epidemia mundial. "É imperdoável afirmar, com tão poucos dados, que as vacinaschinesas fracassaram. É presunçoso e irresponsável", acusou Jia,atacando um dos autores do relatório, Guan Yi. "Guan disse que queria alertar o mundo. Mas por que não informouo governo chinês sobre os mercados onde encontrou as aves portadorasdo vírus?", perguntou. Chen Huanlan, diretora do Laboratório Nacional de Referência daGripe Aviária, insistiu que o vírus de Fujian é quase idêntico aoachado na província de Hunan, durante o surto de gripe aviária de2004, e não uma variante. Os autores do relatório defenderam suas conclusões. "O vírus H5N1vai continuar circulando na região e o desenvolvimento da variantede Fujian exige vacinas adicionais para os humanos, porque o vírusvai evoluir", disse um deles, sob anonimato, ao jornal South ChinaMorning Post. A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que o vírus de Fujian não parece capaz de ser transmitido de um ser humano para outro. No entanto, reclamou dafalta de transparência do Ministério de Agricultura chinês.

Agencia Estado,

10 de novembro de 2006 | 15h27

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