China remove 80 mil ameaçados por lago formado com tremor

Rio bloqueado em Beichuan formou represa que pode romper e causar enchentes.

Marina Wentzel, BBC

27 de maio de 2008 | 10h00

Autoridades chinesas devem remover nesta terça-feira 80 mil pessoas que moram próximo à montanha de Tangjiashan, depois que deslizamentos de terra provocados pelo terremoto, há duas semanas, formaram um lago que ameaça romper.A terra acumulada bloqueou o curso de um rio provocando a formação da represa que, se transbordar, poderá causar enchentes e enxurradas. O governo estima que o lago, que fica próximo do vilarejo de Beichuan, já contém mais de 130 milhões de metros cúbicos de água represados. Na segunda-feira, mais de 70 mil pessoas já haviam sido retiradas da região. VítimasSoldados chineses trabalham sem parar a fim de drenar o lago.O exército está usando tratores, escavadeiras e dinamite para abrir um canal de escoamento. Oficiais do governo afirmam que o risco de uma enxurrada é real, pois a água está represada há mais de duas semanas.A barragem que se formou ao redor da represa é feita de lama e pedras e por isso é muito frágil, segundo informou a agência de notícias estatal Xinhua. O governo disse que não quer correr riscos e está colocando em prática os planos de contingência para evitar maiores problemas e mortes.Nesta terça-feira, o número oficial de mortos no terremoto chegou a 67.183 e os desaparecidos totalizavam 20.790. LagosOs deslizamentos de terra provocados pelo terremoto e pelos tremores secundários obstruíram diversos rios criando lagos que ameaçam se romper.Somente em Sichuan, o governo está monitorando mais de 34 locais onde grandes quantidades de água estão concentradas na esperança de afastar o perigo de novas tragédias.Alguns vilarejos, no entanto, já foram inundados, como revelaram fotos de satélites. Mais de cinco milhões de sobreviventes permanecem desabrigados duas semanas após o terremoto de 8 graus e a área ainda sofre significantes abalos secundários.No domingo, um novo tremor matou seis pessoas e destruiu outras 300 mil construções.A previsão do tempo para os próximos dias é de chuva, o que aumenta ainda mais o risco de os lagos transbordarem e as barragens se romperem.Estimativas oficiais apontam que será necessário pelo menos três anos até que a vida dos sobreviventes moradores da província de Sichuan retorne ao normal.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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