Chipre busca acordo para resgate; espera-se reviravolta sobre imposto

O Chipre se encaminhou nesta sexta-feira a uma dramática reviravolta em relação à taxação de grandes depósitos realizados em seus bancos problemáticos, enquanto se apressa para assegurar um resgate da União Europeia para evitar um colapso financeiro.

MICHELE KAMBAS E COSTAS PITAS, Reuters

22 de março de 2013 | 20h19

O partido do governo afirmou que um pacote para levantar os 5,8 bilhões de euros exigidos pela UE está a horas de distância, pressionado pelo prazo final de até segunda-feira estabelecido pelo Banco Central Europeu (BCE), que disse que vai cortar a liquidez direcionada a bancos cipriotas na ausência de um acordo.

Mais tarde nesta sexta-feira, o Parlamento do país aprovou uma lei que cria um "fundo de solidariedade" para reunir ativos estatais e torná-los base para emissão emergencial de dívida soberana e outra que dá ao governo o poder de impor controles de capital em bancos.

O Chipre se aproximou perigosamente de um default com a rejeição pelo Parlamento dos termos de um resgate da UE, na terça-feira. Cipriotas revoltaram-se contra um imposto sobre depósitos bancários, como correntistas de pequenas quantias e donos de grandes contas, muitas destas detidas por investidores estrangeiros.

O ministro das Finanças, Michael Sarris, recém-chegado de uma viagem frustrada para captar recursos de Moscou, disse que um imposto depósito bancário estava "de volta à mesa". Moscou recusou os pedidos de auxílio do Chipre nesta sexta-feira, deixando os líderes da ilha cada vez mais isolados na corrida para fechar um acordo de resgate.

O vice-líder do partido governista Rali Democrático, Averof Neophytou, disse que líderes políticos cipriotas estavam perto de um compromisso que permitirá que o Parlamento reverta sua rejeição ao pacote de resgate.

Autoridades da legenda afirmaram à Reuters que as discussões concentram-se em um imposto sobre depósitos maiores do que 100 mil euros. Uma autoridade disse que o imposto poderia ser limitado a 20 por cento sobre grandes depósitos no maior banco da ilha, o Banco do Chipre.

Em um sinal de que esperam uma solução em breve, o Eurogroup, grupo que reúne os ministros das Finanças da zona do euro, convocou uma nova reunião para domingo em Bruxelas, disseram duas fontes do bloco monetário à Reuters.

O presidente do Eurogroup, Jeroen Dijsselbloem, afirmou nesta sexta-feira que os ministros das Finanças da zona do euro estão focados em manter o Chipre no bloco. Quando questionado se a saída do Chipre era inevitável, ele afirmou: "Todos os tipos de cenários são possíveis e os cenários que estamos focando são para chegar a uma solução conjunta pela qual o Chipre é salvo".

Uma autoridade do governo cipriota disse ainda que o presidente cipriota, Nicos Anastasiades, viajará à capital belga no fim de semana caso uma solução seja encontrada para o resgate do país.

(Reportagem adicional de Jan Strupczewski e Luke Baker em Bruxelas, Karolina Tagaris e Costas Pitas em Nicósia, Georgina Prodhan em Viena, Lidia Kelly e Darya Korsunskaya em Moscou, Paul Carrel em Frankfurt e Gernot Heller em Berlim)

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