Chocolate no limite da ousadia

O inglês foi à Bélgica para aprender a fazer chocolate. Voltou para casa e montou uma barraquinha no Borough Market. Caiu nas graças dos chefs, abriu a L’Artisan de Chocolat, não parou mais de inventar e está no auge

Roberta Fortuna, Londres - ESPECIAL PARA O ESTADO ,

31 Março 2010 | 12h02

Ervas, temperos, flores, grãos de cacau provenientes de 13 países e oito tipos de leite são alguns dos ingredientes usados pela mais celebrada loja de chocolates da Inglaterra no momento. Mas, para os criadores da L’Artisan du Chocolat, misturar açafrão, tomilho ou pimenta rosa com grãos compradas no Vietnã, Jamaica ou Brasil não é inovação suficiente. Os formatos também são estudados para surpreender.   Nas dez linhas permanentes da marca há bombons e trufas com caixas inspiradas na alfaiataria inglesa, barras de chocolate feitas com cacau jamaicano que exalam notas de ameixa e jasmim, além de flocos de chocolate servidos em vidrinhos iguais aos de remédio - eles remetem a um hábito do século 18, época em que o chocolate era prescrito por médicos como remédio.   "Gosto de testar diferentes alimentos com os chocolates. Quando dá certo, é maravilhoso", diz o chocolatier irlandês Gerard Coleman. Ex-chef que foi à Bélgica para aprender a fazer chocolate com Pierre Marcolini, ele começou no ramo com uma pequena barraca de chocolates no Borough Market, o movimentado mercado de comidas de Londres. Logo foi descoberto por restaurantes, mas fez fama depois que seus bombons caíram nas graças do polêmico chef Gordon Ramsay.   O L’Artisan foi inaugurado há dez anos em Londres. Hoje tem quatro endereços na capital londrina e outras três lojas devem abrir em junho em Birminghan e Manchester.   Veja também: Na orgia de cacau, só não vale ficar satisfeito   Coleman compra os grãos e faz todos os processos da produção em uma fábrica em Kent (a 90 km de Londres). Poucas marcas no país produzem chocolate a partir do cacau, como esta. A maioria já compra o chocolate pronto na França ou na Bélgica e só derrete o produto.   A L’Artisan utiliza polpa e grãos de cacau da África e das Américas. Sementes colhidas nas margens do Rio Doce, que corta os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, entram na confecção de barras com notas de mel e flores e de bombons de ganache com recheios de 49 sabores diferentes.   Nesta Páscoa, o tema é o kitsch. Há ovos decorados com zíper comestível prateado e alguns que lembram carrosséis vintage, com cogumelos e gnomos.   Bons de marketing, os sócios promovem degustações guiadas - e muito concorridas - e oferecem serviços criativos.   Quer agradar a alguém? Que tal mandar chocolates, em vez de flores, durante o mês inteiro, um a cada dia? Ou vários, sempre no mesmo dia do mês durante o ano inteiro? É só fazer a encomenda e desembolsar £ 200 (cerca de R$ 650).

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