Chuva atrasa colheita de trigo no Paraná e pode afetar produtividade, diz Deral

Chuvas constantes desde meados da semana passada atrasaram a colheita de trigo no Paraná, o principal produtor do Brasil, pioraram as condições das lavouras e podem resultar em perdas de qualidade e produtividade de uma safra ainda estimada para ser recorde, afirmou o Departamento de Economia Rural (Deral) nesta terça-feira.

REUTERS

30 Setembro 2014 | 17h29

Tudo vinha bem para a colheita de trigo no Paraná, que atingiu quase metade da área estimada no início desta semana, com o Estado projetando uma safra recorde de cerca de 4 milhões de toneladas, mais que o dobro da temporada passada afetada por geadas.

Mas choveu em áreas agrícolas do Paraná no acumulado de setembro quase 300 milímetros, praticamente o dobro da média histórica para o mês, informou a Somar Meteorologia nesta terça-feira.

"O viés para a estimativa já é negativo, mas quanto só poderemos saber no mês que vem", disse o agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Deral, órgão da Secretaria Estadual de Agricultura, comentando que é impossível fazer previsões por ora.

Se a estimativa de colheita do Paraná não sofrer grandes alterações, o Estado poderá colher mais da metade da safra brasileira do cereal, projetada em históricas 7,6 milhões de toneladas. Uma boa produção no Brasil (importador líquido do grão) pode ajudar o país a reduzir suas importações.

O agrônomo explicou que as chuvas neste momento no Paraná podem aumentar a incidência de doenças fúngicas de difícil controle, como giberela e brusone, nas lavouras em fase reprodutiva, gerando perdas de produtividade.

Além disso, a umidade elevada em áreas com trigo em maturação --atualmente quase metade da safra está nesta fase-- gera problemas para a qualidade dos grãos.

"O problema é se continuar chovendo nos próximos dias, com certeza altera a qualidade desses grãos que estavam em ponto de colheita... E para as lavouras em fase reprodutiva deve ter algum problema por doenças, que devem gerar perda de produtividade...", comentou Godinho.

As chuvas estão previstas para ocorrer até na quarta-feira, depois devem dar uma parada por alguns dias, segundo a Somar.

Em casos extremos, as precipitações podem gerar o brotamento do grão nas espigas.

A chuva ainda gera aumento de custos nas lavouras, com mais aplicações de fungicidas, e no pós-colheita, com secagem dos grãos para armazenagem.

"Neste momento, tudo o que o produtor não quer é aumentar os custos", afirmou ele, fazendo um paralelo com o preço do trigo abaixo do mínimo de garantia do governo federal, em função da expectativa de safra recorde no Brasil e um cenário baixista internacionalmente.

A qualidade das lavouras avaliadas pelo Deral piorou na última semana, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pelo Deral. Até semana passada, 88 por cento das áreas estavam em boas condições. Agora essa situação é verificada para 83 por cento dos campos de trigo, um índice ainda relativamente elevado.

Apenas 1 por cento das lavouras está com avaliação "ruim" e as demais têm qualificação "média".

(Por Roberto Samora)

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