Chuva e pesticida contêm avanço de praga em algodoais da Bahia

A infestação de lagartas que afetou plantações de algodão na Bahia começou a diminuir, por causa do uso de pesticidas e da volta das chuvas à região, disseram agrônomos e produtores.

Reuters

20 de março de 2013 | 17h38

Um número excepcional de lagartas começou a ser visto nas últimas semanas nas plantações de soja e algodão da Bahia, segundo produtor da pluma do Brasil, após uma longa seca. Mas produtores estão otimistas de que parte do prejuízo poderá ser revertido, pois a safra ainda está em fase de desenvolvimento.

"Estamos um pouco mais otimistas agora a respeito do dano às plantas", disse o diretor da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Celito Breda.

"Em alguns casos as plantas ainda estão se recuperando e brotando novos capulhos, depois de terem sido pulverizadas pelos produtores."

O governo disse na quarta-feira que havia aprovado o uso de pesticidas à base de benzoato de emamectina, exclusivamente na Bahia, a fim de combater a infestação de lagartas.

Produtos menos efetivos já vendidos no Brasil precisavam ser aplicados até a cada quatro dias, disse Breda, mas pulverizações mais regulares estão melhorando sua eficácia.

Breda disse que as estimativas de duas semanas atrás sobre prejuízos de 30 arrobas (450 quilos) por hectares, contra uma produtividade habitual de 250 arrobas por hectare, haviam sido reduzidas para 15 a 20 arrobas, graças à redução do número de lagartas e à recuperação das plantas.

A Bahia responde por quase um terço da produção brasileira de algodão, estimada em quase 1,4 milhão de toneladas neste ano.

A empresa de meteorologia Somar informou que às chuvas vão continuar nos algodoais da Bahia, ajudando a reverter os prejuízos com as pragas. A maior região produtora brasileira, o Centro-Oeste, está recebendo um volume adequado de chuvas.

Um boletim do Cepea/Esalq, ligado à Universidade de São Paulo, informou que os produtores estão retraídos nas negociações, na medida em que os preços sobem.

No mercado doméstico, o algodão de grau 41-4 se aproximou dos 2 reais, nível inédito desde junho de 2011. Os estoques dos cotonifícios brasileiros estão baixos, e as indústrias têm dificuldades para encontrar algodão de qualidade em quantidade suficiente, segundo o Cepea.

(Reportagem de Peter Murphy)

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