Chuva em julho prejudica lida nas lavouras

Tráfego de máquinas fica dificultado e produtos colhidos com excesso de umidade têm a qualidade reduzida

Fábio Marin, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2009 | 03h41

O tempo no Estado de São Paulo foi marcado pela passagem de mais uma frente fria sobre o Sudeste do Brasil, completando sete sistemas frontais desde o início do inverno. A temperatura máxima passou dos 30 graus em Barretos, Votuporanga, Ilha Solteira e Presidente Prudente, e a chuva concentrou-se no sul do Estado, onde estão Itapeva e Sorocaba, e no Vale do Ribeira.

Julho - tido como o mais seco do ano - terminou como um dos mais chuvosos dos últimos anos em Campinas, Piracicaba, Sorocaba, Itapeva, Presidente Prudente e Iguape, onde a precipitação acumulada superou o dobro da média histórica para o mês, com cerca de dez dias de chuva. Em Votuporanga, Ilha Solteira e Jaboticabal, o total de chuva em julho ficou próximo da média histórica, mantendo o regime natural de chuva e sem grandes alterações nas práticas agrícolas comumente utilizadas neste período. Nas videiras e goiabeiras do noroeste, a irrigação vem sendo usada para atenuar a deficiência hídrica.

ESTRADAS RURAIS

Onde a precipitação passou do normal, contudo, os trabalhos de campo foram prejudicados por causa da chuva e do excesso de água no solo, dificultando o acesso das máquinas às lavouras e o transporte pelas estradas rurais.

É o caso do café na maioria das regiões produtoras de SP, onde a colheita atrasou e a qualidade do café colhido recentemente está abaixo do ideal esperado, por causa do excesso de umidade. A expectativa dos cafeicultores, no entanto, é a de que a chuva deste inverno beneficie as lavouras de café na formação da safra do próximo ano, considerado um ano de alta produção.

A colheita da cana também atrasou por causa da chuva em julho, atrasando o corte e o transporte e reduzindo a concentração de açúcares no colmo.

Em Biritiba-Mirim e Mogi das Cruzes, os produtores de legumes e hortaliças enfrentam dificuldade com a chuva, que reduz a qualidade dos produtos. Para os produtores de uva de Vinhedo, Indaiatuba e São Carlos que usam a técnica da dupla poda para produzir no inverno, o excesso de umidade não favorece a maturação. Em anos normais, a técnica permite colher a uva no período mais seco do ano, permitindo a produção de vinhos com alto padrão.

*Fábio Marin é pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária. Para mais informações sobre tempo e clima, acesse www.agritempo.gov.br

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