Chuva limita plantio de algodão em MT; perto do fim na Bahia

O cultivo de algodão vive dois momentos distintos no Brasil, enquanto em Mato Grosso a chuva limita o avanço dos trabalhos em campo, na Bahia o plantio está praticamente concluído, aponta a Abrapa, associação que reúne produtores.

REUTERS

18 de janeiro de 2012 | 15h42

Mato Grosso e Bahia são respectivamente os dois maiores produtores de algodão do Brasil.

"Em Mato Grosso, a chuva requer atenção, mas na Bahia a safra vai muito bem e os produtores estão bem animados", disse Márcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa.

Na Bahia, o plantio teve início entre novembro e dezembro, e os produtores já cobriram cerca de 98 por cento dos 418 mil hectares previstos nesta temporada 2011/12, segundo Portocarrero.

O executivo da Abrapa ressalta que o clima também está limitando os trabalhos em Goiás e Mato Grosso do Sul, terceiro e quarto produtores, respectivamente.

Nesses Estados, diz Portocarrero, o produtor cultiva a pluma atento ao cenário econômico internacional. "Existe um temor do lado do produtor de a crise na economia europeia e nos EUA afetar a demanda", disse.

O executivo pondera que, especialmente em Goiás, o algodão pode ter uma redução de área porque enfrenta a concorrência de culturas como a soja e o feijão, bastante atrativas no momento em termos de retorno.

MAIOR PRODUTOR

Em Mato Grosso, o plantio atingiu 63 por cento da área de 724 mil hectares estimada para este ciclo, abaixo dos 71 por cento para este período do ano em 2011, segundo os dados do Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada (Imea).

Um atraso que, segundo o Imea, decorre das chuvas da última semana que afetaram tanto os trabalhos de colheita da soja, como de cultivo do algodão. A previsão da Somar indica mais precipitações para os próximos dias.

O gestor do Imea, Daniel Latorraca, disse que os produtores vêm monitorando as chuvas especialmente para a segunda safra da pluma, implantada após a colheita da soja no Estado.

O atraso do plantio da segunda safra, que representa cerca de metade do total plantado em Mato Grosso, por enquanto não é visto como um problema, segundo o gestor.

Latorraca afirma que o produtor olha para o mercado com cautela, porque considera o cenário para comercialização ainda incerto neste ano. Segundo ele, dados do mercado internacional apontam para uma produção maior do que a demanda, o que deve pressionar as cotações.

Em meio à trajetória de alta no primeiro trimestre do ano passado, grande parte da safra anterior foi comercializada entre 70 e 80 reais por arroba. Agora, os preços oscilam pouco acima de 50 reais.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou, em seu levantamento mais recente, que a área cultivada com algodão no país deve somar 1,4 milhão de hectares, ligeiramente maior que na temporada 2010/11.

Já a produção de pluma foi estimada em 1,99 milhão de toneladas, versus 1,95 milhão de toneladas do ciclo anterior.

(Reportagem de Fabíola Gomes)

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