Chuva, política e Daniela marcam parada mais vazia

A 17.ª edição da Parada Gay de São Paulo foi marcada neste domingo por uma chuva insistente que afastou parte do público, muitos protestos contra o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) e a cantora baiana Daniela Mercury como grande personagem. Daniela arrastou o público da Avenida Paulista, transformou a Rua da Consolação num grande bloco, cantou o Hino Nacional e dedicou o show à companheira, Malu Verçosa.

ARTUR RODRIGUES, BÁRBARA FERREIRA E BRUNO PAES MANSO, Agência Estado

03 de junho de 2013 | 07h33

A organização do evento estimou o público em 3 milhões de pessoas - 1,5 milhão a menos que em 2013. Como não há outra medição, esse número é sempre questionado. De capa, guarda-chuva - muitos com as cores do arco-íris - ou sem nenhuma proteção, quem participou do evento deste ano ouviu um discurso contundente de Daniela. "Se a gente não vai para a rua dizer que não quer certas pessoas na Comissão de Direitos Humanos (da Câmara), não vai tirar ele (Feliciano) de lá. A gente já tirou um presidente da República. Não é possível que o governo brasileiro continue mantendo pessoas que não nos representam", discursou no microfone.

O show da cantora começou com duas horas de atraso e só na Rua da Consolação porque o trio dela, que foi trazido de Salvador e patrocinado pelo governo baiano, não foi autorizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) a cruzar a Paulista. O veículo tem 4,8 metros de altura, mas o máximo permitido na via é 4,5 metros. Ela, então, cantou num outro trio.

O pastor também foi alvo de piadas por parte do público. Como protesto às declarações do deputado, o enfermeiro Rogério Rocha, de 43 anos, carregava consigo a cartilha dos "defeitos humanos". "O Feliciano fala muito dos direitos humanos e diz que nós, gays, somos os defeitos. Pois fiz uma sátira a ele", afirmou.

O tom político começou antes mesmo do evento. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) desmentiu que é do prelado católico Opus Dei, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, classificou a gestão de Feliciano na Comissão de Direitos Humanos como "tragédia grega" e o deputado Jean Willys (Psol-RJ) discursou contra o "fundamentalismo religioso". Já o prefeito Fernando Haddad (PT) decidiu subir em um trio elétrico - em 2012, o então prefeito Gilberto Kassab (PSD) preferiu ficar no camarote. "Existe amor em São Paulo. Vamos lutar contra a intolerância e resgatar os direitos civis", disse Haddad.

Religião

Homossexuais da Igreja Cristã Evangélica Para Todos fizeram a campanha Para Deus, Somos Todos Iguais. Jair Simão de Souza, de 27 anos, que há cinco milita na causa, defendeu que as igrejas sejam mais inclusivas. "Deus nos fez livres, então o outro tem de ser livre como Deus manda. É possível, sim, ser cristão de tendência evangélica e homossexual."

Não só os evangélicos foram alvo de protestos. A Igreja Católica também. O estilista José Roberto Fernandes, de 62 anos, fantasiou-se de papa. Não foi o único. Já seu companheiro, Marcos Oliveira, de 40, vestiu-se de São Francisco. Na Avenida Paulista, também era possível encontrar várias pessoas fantasiadas de freiras e padres.

Esticada

Ao todo, foram 17 carros alegóricos. Por volta das 18 horas, por causa de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que estabelece horário para o fim do evento, a Avenida Paulista já estava praticamente vazia. A festa, porém, acabou mais tarde. Boa parte do público desceu a Consolação rumo à Praça da República, onde foi montado o palco para o show de encerramento da parada.

O principal nome da apresentação foi a cantora Ellen Oléria, vencedora do programa The Voice Brasil, da TV Globo, que sempre deixou clara sua opção sexual no programa. A expectativa era de que o evento durasse três horas mais do que no ano passado. O efeito Daniela Mercury levou muito mais casais de mulheres a esta edição da parada, tradicionalmente dominada pelo público masculino. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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