Chuva volta às lavouras do Sul, mas previsão estendida preocupa

As chuvas voltarão a atingir as ressecadas lavouras do Sul do Brasil, com volumes acumulados de até 50 mm para algumas áreas do Rio Grande do Sul entre 11 e 15 de janeiro, mas a previsão para a segunda quinzena do mês não é muito animadora para os produtores, avaliou a Somar Meteorologia nesta sexta-feira.

REUTERS

06 de janeiro de 2012 | 16h02

As chuvas devem interromper momentaneamente o processo de deterioração das lavouras do Sul do Brasil, avaliou o agrometeorologista da Somar Marco Antônio dos Santos.

A seca que atinge as lavouras de soja e milho no Sul do Brasil provocou perdas irreversíveis de 4,5 milhões de toneladas, o equivalente a 10,6 por cento do que os três Estados sulistas esperavam colher dos dois grãos na temporada 2011/12, informaram na quinta-feira órgãos oficiais.

As maiores perdas foram verificadas nas lavouras de soja do Paraná, o segundo produtor da oleaginosa do Brasil, e de milho do Rio Grande do Sul, o quinto produtor nacional do cereal.

"As perdas não se revertem. O que vai acontecer é uma paralisação momentânea (com as chuvas). Vai ter umidade no solo, temperatura mais baixa, mas depois volta a ficar seco. Pelo menos para os próximos dias não vai ter avanço nas perdas", disse Santos.

"Chuva de 30 a 50 mm pra reverter a secura que está é muito pouco... Vamos ter volumes agora, mas depois não tem previsões de chuvas, se tivesse 50 esta semana, depois mais 50 e depois mais 50 iria funcionar, mas não devem se repetir nos próximos 15 dias", explicou.

O clima está sob a influência do fenômeno climático La Niña, que reduz e deixa irregulares as chuvas no Sul do país. A situação tem dado sustentação aos mercados internacionais, uma vez que o Brasil é o segundo produtor mundial de soja.

Segundo o agrometeorologista, os volumes mais significativos da chuva nos próximos dias, de até 100 mm no acumulado entre 11 e 15 de janeiro, vão se concentrar mais ao Sul do Rio Grande do Sul, área que produz menos soja e milho na comparação com outras regiões. A área com mais precipitações cultiva mais arroz, além de ter criações de gado.

Algumas pancadas de chuvas no Sul do Brasil já serão registradas nesta sexta-feira e no sábado, e depois elas seguem para São Paulo.

No Paraná, Santos avalia que o cenário para chuvas é um pouco melhor, embora as precipitações esperadas para os próximos dias sejam menores.

O Paraná é também o maior produtor de milho do Brasil, enquanto o Rio Grande do Sul é o terceiro Estado produtor de soja.

"Serão volumes mais baixos, mas ocorrerão com mais frequência (no Paraná)", disse, acrescentando que é preferível uma chuva constante àquela que vem e não volta.

(Reportagem de Roberto Samora)

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