Chuva voltou, mas não repõe perdas

Estiagem prolongada no mês de julho impactou agricultura e precipitação no início de agosto ainda não foi suficiente

Fábio Marin, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2008 | 02h57

O mês de julho terminou como um dos mais secos da história. Agosto, ao contrário, começou sob a ação de uma frente fria trazendo precipitações para todo o Estado de São Paulo e quebrando o ciclo de estiagem, que já passava dos 40 dias em boa parte das regiões.A queda na temperatura manteve as taxas de evapotranspiração entre 2 e 3 milímetros por dia ao longo da semana, mas a deficiência hídrica se manteve na maioria das regiões. Apenas em Campinas, Piracicaba, Sorocaba e Taquarivaí a precipitação foi suficiente, sem registro de deficiência hídrica.A umidade do solo continua abaixo de 50% da capacidade de armazenamento, nível considerado baixo para as operações de correção e preparo do solo para a safra de verão. Apesar disso, houve forte elevação da umidade do ar nos horários mais quentes do dia, reduzindo o risco de incêndios.A baixa umidade do solo também prejudica a colheita da mandioca em Campos Novos Paulista, Platina e Cândido Mota, pois o solo seco dificulta o arranquio da raiz, reduzindo a oferta de produto no mercado. Como conseqüência, o preço manteve tendência de alta em praticamente todo o Estado.CHUVAO volume de chuva observado foi suficiente para beneficiar as pastagens, principalmente onde as gramíneas necessitam de maiores volumes para elevação da produtividade do pasto e da qualidade da forragem. Nos pomares de laranja de Itápolis, Bebedouro e Matão a chuva não comprometeu a colheita, causando apenas pequenos atrasos. A baixa umidade do solo, contudo, preocupa os produtores, pois parte dos pomares ainda tem frutos em fase de desenvolvimento com sensibilidade à seca prolongada.A colheita do milho safrinha prosseguiu sem problemas em Florínea, Capão Bonito, Assis e Guairá, onde mais de 50% das lavouras já foram colhidas. A chuva também não comprometeu a colheita do morango em Jundiaí, Atibaia e Monte Alegre do Sul; do fumo em Arealva; da banana em Registro, Iguape e Pariquera-Açu; do tomate em Sumaré e Mogi-Mirim; da uva em Jales; do café em Mococa, São José do Rio Pardo e Garça; da banana em Iguape e Registro, e do trigo e da cevada na região de Assis. *Fábio Marin é pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária. Para mais informações sobre tempo e clima, acesse www.agritempo.gov.br

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