Chuvas aceleram erosão de terreno baldio de Pinheiros

Desabamento racha muros, interdita área de uma vila próxima e pode atingir a Rua Cardeal Arcoverde

Filipe Vilicic, O Estadao de S.Paulo

12 Dezembro 2009 | 00h00

Sempre que chove, os moradores das cinco casas de uma vila no número 778 da Rua Cristiano Viana, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, tremem de medo. Eles moram ao lado de um terreno baldio de cerca de 20 metros de frente que está em erosão. E quando dá qualquer chuvisco, a terra acumulada nele (que chega ao terceiro andar de um prédio próximo) desaba. "Esse processo abala nossas casas", reclama a bibliotecária Maria Pinho, que vive a menos de oito metros do terreno.

Na terça-feira, quando a cidade ficou alagada, o medo foi ainda maior entre os moradores. "Acordei de madrugada com um estrondo", recorda Maria. O barulho era da terra caindo da área abandonada. "Se não tivesse um muro como contenção, todo esse barro teria tomado a Rua Cardeal Arcoverde, que é para onde dá a frente do terreno."

No dia da enchente, bombeiros, a Defesa Civil e funcionários da Subprefeitura de Pinheiros foram ao local: cortaram árvores que podiam tombar e interditaram uma área da vila, onde estacionam os carros, a garagem do sobrado de Maria e uma faixa da Cardeal. "Tenho medo de o barro desabar e levar o chão das casas", diz a dona de casa Angela Sereno. A erosão já fez rachaduras no muro da vila e no quintal de uma das residências. "Reclamamos com a Prefeitura desde 2004, mas não tomaram providências", conta o engenheiro Plínio Brisolla.

De acordo com os moradores, o terreno está abandonado há 11 anos. "E não encontramos o proprietário", afirma Brisolla. "Em 2004, alguns homens invadiram o espaço e tentaram nivelá-lo com tratores para abrir um estacionamento. Reclamamos com a Prefeitura, que embargou a obra após ver que os invasores não eram donos do terreno." Mas, por terem retirado parte da terra, o local ficou instável.

"Em 2005, depois de fortes chuvas, houve um deslizamento que atingiu a Cardeal Arcoverde", lembra Maria. Um ano depois, a Prefeitura levantou um muro na frente do terreno. Desde terça-feira, porém, essa parede está ruindo. Segundo a subprefeitura, um novo muro de contenção deve ser construído na frente do terreno.

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