Chuvas obrigam 13 mil a deixarem suas casas em Campos

Já balanço da Defesa Civil do Rio diz que mais de 10 mil deixaram suas casas por conta das tempestades

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2008 | 19h37

A prefeitura de Campos, no norte fluminense, informou nesta terça-feira, 2, que 13 mil pessoas já deixaram suas casas após a enchente que transbordou o Rio Ururaí, que está com o volume de água seis metros acima do normal. Já o último balanço divulgado pela Defesa Civil Estadual apontou que mais de mais 7.300 pessoas estão em casas de parentes e amigos e outras 2.713 mil ficaram desabrigadas e foram acolhidas em escolas municipais transformadas em abrigos.   Pela primeira vez após três dias sem chuva, o nível da água começou a baixar nesta terça, segundo Henrique Oliveira, secretário de Defesa Civil do município. Mas a previsão de novas chuvas para hoje deixou a população apreensiva. Dezenas de famílias continuavam a deixar suas casas às margens do rio. "Ajudei a salvar os pertences da minha mãe. A água chegou a 1,5 metros dentro da casa dela", disse Francisco Assis, de 36 anos, que carregava um aparelho de TV pela rua transformada em rio.   Apesar do alerta das equipes de controles de zoonoses sobre o risco de leptospirose (doença provocada pela urina do rato), algumas famílias resistiam à idéia de abandonar as casas. Grávida de oito meses, a desempregada Fabrícia Martins, de 27 anos, era uma delas. "Enquanto a água não cobrir tudo a gente vai ficando. Estamos dormindo mais de dez pessoas na casa de um vizinho que é mais alta", revelou Fabrícia.   O outro temor de moradores são os saques. "Tenho medo que alguém se aproveite e leve minhas coisas. Como a concessionária cortou a energia, tenho que dormir em uma casa sem luz, sem água e cheia de mosquitos", contou o militar Vanderlei Diniz, de 53 anos. No início da tarde, os caminhões disponibilizados pela prefeitura de Campos já não davam conta dos moradores que queriam salvar os pertences e abandonar as casas. "Estamos com fome, passamos a noite nesta água podre e tudo o que fazem é pedir para esperarmos", lamentou o biscateiro Cláudio Nascimento, de 48 anos.   A água invadiu e abriu uma cratera na Rodovia do Ceramista, que liga Ururaí a Goytacazes. Apenas os caminhões de grande porte estão sendo autorizados a passar. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o congestionamento chega a quatro quilômetros. A ponte sobre o Rio Ururaí permanece interditada a veículos pesados e corre o risco de desabamento. Por conta destas interdições parciais, o trânsito na entrada de Campos ficou lento com filas de até cinco quilômetros.   A Serla, órgão da Secretaria Estadual do Ambiente, anunciou que estão previstas intervenções de desassoreamento do Rio Ururaí, obras para baixar o nível da água da bacia da Lagoa Feia, na localidade de Durinho da Voleta, reposição dos diques e abertura do Canal das Flechas. A Defesa Civil Municipal avalia que a chuva de 500 mm, a maior dos últimos 40 anos, provocou a enchente da Lagoa de Cima, que, por sua vez, provocou a cheia do Rio Ururaí. Agora, a expectativa é que a água, que está indo para a Lagoa Feia seja escoada para o mar pelo Canal das Flechas.

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