Ciência sem Fronteiras exclui pelo menos 24 cursos de novo edital

Programa é focado na área tecnológica, mas a categoria Indústria Criativa era uma 'brecha' para alunos de Humanas

O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2012 | 02h01

O programa federal Ciência Sem Fronteiras (CsF) excluiu no seu mais novo edital a possibilidade de participação de estudantes de pelo menos 24 cursos, 20 deles de Ciências Humanas. O foco principal do CsF é a área tecnológica, mas 1.114 estudantes de Humanas já foram contemplados pelo programa em uma área chamada Indústria Criativa.

O número representa 6% do total de bolsistas, mas é maior, por exemplo, que o número de beneficiados de Computação e Tecnologia da Informação (887 bolsistas), uma das mais estratégicas para o País. Até agora, 17.134 estudantes estão em outros países pelo programa.

Nesse edital foram excluídos cursos como Publicidade, Artes Plásticas, Cinema e Jornalismo. Carreiras da área de Saúde também foram atingidas, como Enfermagem e Fisioterapia.

Em entrevista ao Estado há duas semanas, Jorge Guimarães, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) - um dos órgãos responsáveis pelo CsF -, já havia adiantado que poderia alterar os editais. A definição da área Indústria Criativa no site do programa já havia sido modificada por ser considerada muito abrangente.

"A primeira definição tinha ficado muito frouxa e pessoas de áreas similares acharam que podiam ser incluídas", disse Guimarães. "A ênfase continua sendo nas áreas tecnológicas."

As mudanças causaram revolta entre estudantes, que já se mobilizaram no Facebook, com a criação do grupo "Ciência com Fronteiras", que conta com 700 membros. O estudante de Jornalismo da PUC-MG Igor Silva, de 19 anos, foi pego de surpresa. "Já gastei mais de R$ 800 me preparando para os exames de certificação", conta. Ele planejava estudar na Austrália.

A estudante de Publicidade na Universidade de Fortaleza, Thaís Esmeraldo, de 21 anos, disse-se "desrespeitada" com a mudança. "Pessoas que antes tinham a mesma condição que tenho hoje puderam participar. Por que me tiraram esse direito?", questiona Thaís.

Beneficiada. Já a aluna de Publicidade da UFRJ Nathalia Barbosa, de23 anos, foi uma das que conseguiram uma bolsa pelo programa, mesmo não cursando uma das carreiras prioritárias do CsF. Hoje ela estuda na Universidade de King's College, em Londres. "Acredito que os fatores que contaram para a minha concessão foram apenas os acadêmicos: o meu currículo e projetos de iniciação científica na faculdade", diz ela.

Além de tecnologia, ciências exatas e engenharia são consideradas prioritárias as áreas de Biotecnologia, Petróleo e Gás. O programa prevê a concessão de 101 mil bolsas em quatro anos. / CRISTIANE NASCIMENTO, CLARICE CUDISCHEVITCH, DAVI LIRA e ISABELA LAMSTER

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