Cientista sul-coreano diz ter tentado clonar mamutes

O cientista sul-coreano Hwang Woo-suk, cujas alegações sobre avanços na tecnologia da clonagem de células-tronco humanas mostraram-se falsas, negou ter desviado fundos de pesquisas científicas para uso particular e disse que parte do dinheiro foi gasto numa tentativa fracassada de clonar mamutes, parentes extintos dos elefantes. "Nenhum centavo foi gasto em uso pessoal", disse Hwang ao testemunhar na terceira audiência de seu julgamento por malversação de fundos, desfalque e compra ilegal de óvulos humanos.Nesta terça-feira, os promotores concluíram a primeira rodada de perguntas para o cientista e cinco colegas, que enfrentam acusações similares. Os advogados dos réus iniciarão o questionamento na próxima audiência, dentro de dois meses. Hwang alegou ainda que sua equipe tinha a tecnologia para produzir linhagens de células-tronco clonadas, e afirmou que os pesquisadores já vinham criando células-tronco não-humanas desde o ano passado. "Produzimos células-tronco, ainda que não fossem humanas", declarou.Hwang foi indiciado em maio por aceitar 2 bilhões de wons (US$ 2,1 milhões) em doações privadas, feitas com base em resultados científicos falsificados, e de desfalcar cerca de 800 milhões de wons (US$ 850.000) em fundos de pesquisa privados e públicos. Se condenado, enfrentará sentença de pelo menos três anos de cadeia.Hwang disse hoje que parte dos fundos foi utilizada na clonagem de mamutes, usando tecidos extraídos de geleiras. "Tentamos três vezes, mas falhamos em todas", disse ele, acrescentando que sua equipe também tentou criar clones de tigres. O cientista reconheceu ter usado parte dos fundos para finalidades diferentes da pretendida pelos doadores, mas afirmou que todo o dinheiro foi aplicado em pesquisa científica.O pesquisador sul-coreano ganhou fama mundial ao publicar artigos científicos em 2004 e 2005, alegando ter obtido grandes avanços na tecnologia de células-tronco e clonagem. Mas o trabalho caiu em descrédito, em meio à revelação de que parte dos dados apresentados nos trabalhos tinha sido falsificada.

Agencia Estado,

25 de julho de 2006 | 18h44

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