Cientista transexual ataca discriminação contra mulheres

O neurologista Ben Barres tem um ponto de vista peculiar dentro do debate sobre se o cérebro masculino é biologicamente mais bem preparado para a ciência que o feminino. Seus argumentos sobre semelhanças e diferenças entre os sexos não são puramente teóricos: ele já viveu ambos.A experiência de Barres como um transexual feminino-para-masculino levou-o a escrever um comentário para a edição desta semana da revista científica Nature, rejeitando a fala do ex-presidente da Universidade Harvard, Lawrence Summers, que havia levantado a possibilidade de que a escassez de mulheres nos altos escalões da ciência teria uma base biológica.Lançando mão tanto de evidência científica quanto de experiência pessoal, Barres defende que a falta de mulheres nas ciências tem mais a ver com preconceito que com capacidade.Como exemplo, ele cita que, quando era uma moça - Barbara - foi, primeiro, desencorajado de buscar vaga no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde acabou se formando; uma vez lá, disseram-lhe que um namorado deveria tê-lo ajudado a resolver um complicado problema de matemática; e depois que assumiu uma identidade masculina, ouviu outro cientista dizer que "o trabalho de Ben Barres é muito melhor que o da irmã".

Agencia Estado,

12 de julho de 2006 | 15h50

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