Cientistas acham água em asteroide

Inesperada, descoberta dá força à ideia de que os oceanos da Terra vieram do espaço

Carlos Orsi, ESTADAO.COM.BR e Alexandre Gonçalves, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2010 | 00h00

O asteroide 24 Themis, localizado a mais de 300 milhões de quilômetros da Terra, está coberto de gelo, informam cientistas em dois artigos na edição desta semana da revista Nature. A descoberta é inesperada - qualquer água depositada sobre o asteroide deveria, em princípio, se vaporizar rapidamente -, mas dá sustentação à ideia de que os oceanos da Terra vieram do espaço.

Um dos autores do principal artigo a descrever a descoberta, Humberto Campins, da Universidade da Flórida Central, especula ainda que asteroides poderão se tornar importantes para o estudo da origem da vida.

"Asteroides e cometas podem ter trazido para a Terra os blocos constituintes para a vida se formar e evoluir em nosso planeta", disse. "Embora as condições nos asteroides não sejam favoráveis para a vida, o estudo de astros primitivos como "fertilizadores" pode se tornar uma área de interesse para cientistas." Além de água, 24 Themis também carrega matéria orgânica.

A descoberta da água foi feita com base na análise da luz solar refletida por 24 Themis, um dos maiores asteroides do chamado cinturão principal, que fica entre Marte e Júpiter. Diferentes substâncias absorvem e refletem frequências variadas de radiação, e a análise desses padrões, chamados espectros, permite identificar a composição de objetos distantes.

A astrônoma brasileira Thaís Mothé-Diniz, do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, participou do achado. Para ela, é difícil prever quando um trabalho acabará numa revista de prestígio. "Realizamos a pesquisa. E então surge um resultado surpreendente que merece a publicação."

Origem. A presença de água em asteroides pode ajudar a entender a origem dos oceanos terrestres, diz o astrofísico da Queen"s University de Belfast, Henry H. Hsieh, em comentário na Nature. Ele lembra que o nosso planeta deve ter nascido seco, por ter se formado muito próximo do Sol para permitir a presença de gelo. E oceanos primitivos, caso existissem, teriam sido vaporizados pelo grande impacto que, acredita-se, deu origem à Lua.

Campins e seus colegas oferecem algumas possíveis explicações para a presença de água na superfície do asteroide. O gelo, ponderam, pode se manter estável se enterrado a alguns metros de profundidade e poderia estar vindo à tona graças a um bombardeio constante de micrometeoritos. Outra hipótese seria a lenta sublimação do gelo subterrâneo.

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