Cientistas acompanham explosão na superfície de estrela

Uma equipe de astrônomos da Grã-Bretanha e da Alemanha descobriu que uma explosão na superfície de uma estrela a 5.000 anos-luz da Terra causou uma onda de choque que se expandiu a mais de 1.700 km/s. A descoberta, descrita na edição desta quinta-feira da revista Nature, foi possível graças à união de vários radiotelescópios em conjuntos capazes de acompanhar as conseqüências da explosão com grande detalhamento.Em fevereiro deste ano, astrônomos japoneses informaram que a estrela RS Ophiuchi havia crescido em brilho e se tornado claramente visível no céu noturno. Embora este tenha sido apenas o efeito mais recente de uma série que já dura cerca de um século, ele representou a primeira oportunidade de reunir poderosos telescópios num esforço para acompanhar e entender essas erupções.O astrônomo Tim O´Brien, da Universidade de Manchester, requisitou obervações de uma rede de radiotelescópios espalhada entre o Havaí e o Caribe. "Nossas primeiras observações mostraram a onda de choque se expandindo e já com tamanho comparável à da órbita de Saturno ao redor do Sol", disse ele.O cientista explica que "a onda foi causada por uma enorme explosão nuclear que tem lugar na superfície de uma estrela de um par, a cerca de 5.000 anos-luz da Terra, que giram uma bem perto da outra. Gás capturado de uma das estrelas, uma gigante vermelha, acumula-se na superfície de sua companheira, uma anã branca". O pesquisador Mike Bode narra o que ocorre em seguida: "Finalmente, gás suficiente se acumula na anã branca para que reações termonucleares comecem. Em menos de um dia, a produção de energia cresce a 100.000 vezes a do Sol, e o gás é arremessado para o espaço". Esse gás colide com a atmosfera da gigante vermelha e gera ondas de choque que aceleram elétrons até quase a velocidade da luz. "Esses elétrons liberam ondas de rádio quando se deslocam pelo campo magnético, e essas ondas são captadas pelos radiotelescópios.Uma vez que a explosão tenha terminado, o gás volta a se acumular na superfície da anã branca e, dentro de cerca de 20 anos, uma nova erupção poderá ocorrer. Uma questão que os cientistas esperam responder é se as explosões ejetam todo o gás acumulado ou se a anã branca está, lentamente, acumulando massa.

Agencia Estado,

19 de julho de 2006 | 16h29

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