Cientistas avançam no caminho da criação de vida sintética

O objetivo da técnica é criar bactérias projetadas para realizar funções como produzir combustível artificial, medicamentos ou limpar o lixo tóxico

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 08h54

Os cientistas deram o primeiro passo para a produção de vida sintética, com a transferência de material genético de uma bactéria para a outra, transformando a segunda em uma cópia da primeira. O objetivo da técnica é criar bactérias projetadas para realizar funções como produzir combustível artificial ou limpar o lixo tóxico, afirmam os pesquisadores na edição de sexta-feira, 29, da revista Science. "É o equivalente a transformar um Macintosh em PC incluindo um novo software", disse Craig Venter, pioneiro do genoma que hoje chefia seu próprio instituto em Rockville, Maryland, numa entrevista coletiva por telefone. "Acho que vamos acabar conseguindo fazer células artificiais", acrescentou. "É um primeiro passo." Venter vem tentando, há anos, criar um micróbio do zero. Ele ainda não conseguiu, mas sua equipe reprogramou uma espécie de bactéria ao acrescentar a ela material genético de um outra variedade. Os cientistas projetaram o cromossomo substituto para resistir a um antibiótico, e então submeteram o experimento à droga. As bactérias que sobreviveram carregavam apenas os genes que tinham sido incluídos. Os pesquisadores acreditam que as outras morreram, mas não sabem bem como o novo DNA reprogramou as bactérias, nem o que aconteceu com o DNA original. Mesmo assim, a equipe de Venter pediu a patente do processo e pretende explorá-lo industrialmente. Venter acredita que será relativamente simples construir um novo cromossomo a partir do nada, que tenha funções predeterminadas, para assim se criar uma bactéria feita sob medida. "O que estamos relatando na Science não é sobre um organismo sintético", disse ele. "É um passo essencial pois, quando tivermos um cromossomo sintético, já sabemos que é possível incluí-lo. A biologia sintética e a genômica sintética estão bem mais perto de serem provadas." No experimento foi usada uma bactéria bem simples, o Mycoplasma capricolum, que costuma infectar animais. As bactérias não têm núcleos como as células de organismos mais complexos. A equipe inseriu então um cromossomo da espécie Mycoplasma mycoides. Os pesquisadores admitem que será muito mais difícil fazer essa transformações em organismos mais complexos, mesmo bactérias, que têm mecanismos de defesa para repelir DNA estranho.

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