Cientistas clonam espermatozóide de camundongo

Pesquisadores afirmam que ainda é preciso tratar a nova técnica com cautela

Agencia Estado

04 Julho 2007 | 12h03

Cientistas americanos anunciaram ter conseguido clonar, com sucesso, espermatozóides de camundongo, usando uma técnica que pode representar uma nova esperança para homens com problemas de fertilidade que querem ter filhos. Na experiência, os estudiosos da Universidade Cornell, de Nova York, injetaram um espermatozóide saudável de camundongo em um óvulo cujo material genético tinha sido removido. Dessa forma, eles conseguiram criar novos espermatozóides. Ou seja, no caso do homem ter problemas para a produção de espermatozóides, por meio dessa técnica os médicos só teriam que coletar um único espermatozóide viável para produzir outras células sexuais masculinas. "Se você tem apenas um espermatozóide saudável, vai relutar em usar este espermatozóide para qualquer outra coisa que não seja fertilização", disse o professor Takumi Takeuchi, um dos cientistas que desenvolveu o processo. "Mas, com esta técnica, deverá ser possível criar espermatozóides o bastante para se ter certeza de que o embrião implantado é saudável", acrescentou. Ceticismo A técnica foi apresentada durante a reunião anual da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia, na cidade de Lyon, na França. Especialistas presentes ao encontro expressaram dúvidas quanto à segurança do processo, pois alguns camundongos resultantes do espermatozóide clonado tinham anomalias. Takeuchi e seus colegas afirmaram que quatro crias resultaram em camundongos "adultos normais". Mas eles admitiram que será necessário muito mais trabalho para entender a razão de alguns dos camundongos terem nascido com problemas, e outros não terem conseguido se desenvolver. Ainda assim, os cientistas afirmam que a nova técnica tem o potencial para ser um tratamento viável de fertilidade. O professor Keith Campbell, especialista em gametas (células sexuais) artificiais na Universidade de Nottingham, no Reino Unido, é um dos que estão cautelosos em relação ao processo. "Não acredito que tenha utilidade neste momento, a não ser para pesquisa de laboratório. Trabalhos como este ainda estão no começo e temos muito a aprender", disse. Ele ressaltou que seria importante analisar futuras gerações de camundongos nascidos de roedores clonados, pois podem existir anomalias, como a propensão a doenças do coração ou diabetes, que podem ser passadas para as crias.

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