Cientistas criam enzima que extrai o HIV de células infectadas

A extração de DNA não deverá ter aplicação terapêutica imediata, mas abre a possibilidade de, um dia, efetivamente erradicar o HIV do corpo do paciente

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 08h54

Cientistas dos institutos alemães Max Planck e Heinrich-Pette desenvolveram uma enzima que é capaz, em laboratório, de extrair o DNA implantado pelo vírus da Aids, o HIV, no genoma humano. O trabalho é descrito na edição desta semana da revista Science. Vírus como o HIV atuam inserindo seu próprio DNA no genoma da célula infectada. Além de permitir que os genes do vírus se expressem dentro da célula, esse processo garante que o material genético do HIV estará presente em todas as células geradas a partir da divisão da hospedeira original. "Conseqüentemente, o vírus liga-se de modo inseparável ao hospedeiro, o que torna uma ‘cura’ da Aids virtualmente impossível", escreve o biólogo americano Alan Engelman, do Instituto Dana-Farber, em comentário que acompanha o artigo da Science. Por conta disso, boa parte das pesquisas de combate à Aids se voltam para tentar impedir que o vírus penetre nas células. O trabalho alemão, no entanto, mostra que "recortar" os genes virais já integrados ao genoma do paciente pode ser possível, efetivamente erradicando o HIV do corpo. Os pesquisadores, liderados por Indrani Sarkar, do Instituto Max Planck, chegaram a esse resultado com a criação de uma forma específica da enzima recombinase, preparada para reconhecer e extrair os trechos de DNA do HIV do genoma humano. A recombinase usada como base para o experimento, chamada Cre, é largamente utilizada para recortar e recombinar seqüências de DNA em experiências com genes de camundongos. A equipe de Sarkar identificou um derivado da Cre, chamado Tre, que reconhece e extrai o DNA do HIV integrado aos genes do hospedeiro humano. Os cientistas alemães reconhecem que a abordagem de extração de DNA não deverá ter aplicação terapêutica imediata – os experimentos foram realizados em culturas de células – e terá obstáculos pela frente. "A mais importante, e provavelmente a maior, dessas dificuldades é que a enzima precisará de um meio de aplicação seguro e eficiente, e terá de funcionar sem efeitos colaterais adversos nas células-alvo", dizem, no artigo.

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