Cientistas criam transplante de célula para combater câncer

Granulócitos, células de defesa da medula óssea, são eficazes na luta contra a doença, diz pesquisa

BBC Brasil,

20 de setembro de 2007 | 08h02

Células de pessoas imunes ao câncer podem ser transplantadas para portadores da doença e ser eficazes no combate ao tumor, sugere uma pesquisa feita por cientistas da Wake Forest University of Medicine na Carolina do Norte, Estados Unidos.   O estudo, publicado na revista New Scientist, aponta que algumas pessoas possuem células com maior capacidade de atacar certos tipos de câncer, como o cervical.   Os cientistas, liderados por Zhen Cui, acreditam que os chamados granulócitos, células de defesa provenientes da medula óssea e que contêm grânulos, são particularmente eficazes no combate a células cancerígenas.   Cui e sua equipe agora querem testar o transplante de granulócitos 'potentes' para pacientes com câncer.   O câncer cervical atinge mulheres entre 35 e 55 anos, tendo como um dos principais causadores o vírus HPV.   Teste em laboratório   A equipe de cientistas recolheu amostras de sangue de 100 voluntários e misturou apenas os granulócitos a células de câncer cervical em laboratório.   Eles perceberam que uma amostra recolhida de uma pessoa saudável parecia ter matado 97% do câncer em apenas duas horas, enquanto que a amostra de pessoas vulneráveis a doenças ou já com o câncer teria destruído apenas 2% das células cancerígenas.   Pacientes com câncer forneceram granulócitos com capacidade abaixo da média para matar o câncer, como também foi observado entre pessoas estressadas ou acima dos 50 anos.   Curiosamente, até a época do ano parece influenciar na resistência dos granulócitos a doenças. "Ninguém parece ter capacidade para matar o câncer durante o inverno", disse Cui.   Risco   Agora, os estudiosos planejam fazer testes com humanos no ano que vem para avaliar se os granulócitos de doadores podem ter um efeito similar em pacientes com câncer.   As descobertas surpreenderam alguns especialistas, para os quais os granulócitos desempenhavam um papel menor na luta contra o câncer.   Os granulócitos são normalmente associados à resposta do organismo contra infecções bacterianas.   O imunologista John Gribben, do Cancer Researche, na Grã-Bretanha, disse que ficaria "surpreso" se a equipe de cientistas americanos conseguir transplantar granulócitos vivos para pacientes com câncer. "É mais do que um risco teórico", opinou o Gribben.   Para o imunologistas, mais estudos serão necessários para provar a eficácia dos granulócitos no combate a outros tipos de câncer, não apenas o cervical. "Há muitas pessoas considerando a prática de terapias celulares contra o câncer, mas estas ainda não se mostraram eficazes com os granulócitos".

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