Cientistas descartam clonagem de animais em larga escala

A técnica pode permitir reproduzir animais mais resistentes a doenças ou salvar espécies ameaçadas

Michael Kahn, da Reuters

10 Julho 2007 | 15h27

A clonagem de animais não terá utilidade em larga escala, mas a tecnologia é um instrumento importante para os criadores aumentarem a produção e protegerem os animais de doenças, disseram cientistas na terça-feira, 10. Há quem defenda que ainda não há conhecimento suficiente sobre a clonagem para garantir sua segurança, mas outros afirmam que ela pode melhorar a qualidade da carne e dos laticínios. Cientistas reunidos para discutir a questão disseram que a tecnologia é apenas mais um passo dentro da criação artificial, e só será responsável por uma pequena parcela da produção de alimentos. "A clonagem jamais será um sistema de criação em larga escala", disse Simon Best, presidente da Associação da Bioindústria, com sede no Reino Unido. "Ela só tem aplicação em nichos." A clonagem é feita pela transferência do núcleo de uma célula de animal adulto para óvulos vazios, que são implantados no útero de uma fêmea. Segundo os cientistas, algumas das utilizações da técnica seriam clonar animais que são mais resistentes a determinadas doenças ou reproduzir gado "de elite", que produza mais leite ou tenha crias mais saudáveis. Keith Campbell, pesquisador da Universidade de Nottingham, comparou a tecnologia à inseminação artificial - método usado, segundo os cientistas, regularmente em vacas leiteiras. A clonagem também pode ajudar a proteger raças raras ou em extinção, disse Campbell, que ajudou a clonar o primeiro mamífero adulto da história, a ovelha Dolly. "A clonagem é só mais uma técnica", disse ele. "O recurso de integrar a clonagem à linha de produção deve ser oferecido aos criadores." Os especialistas afirmaram que a aprovação da tecnologia não fará com que o mercado seja invadido por animais clonados, porque a indústria tem de pesar o custo-benefício da técnica. A principal agência de segurança alimentar da Europa, a Autoridade Européia de Segurança Alimentar, está analisando se permite ou não a comercialização de carne e leite derivados de animais clonados. Simon Best acredita que o processo vai ser bem mais longo que o dos Estados Unidos, em que a FDA (órgão que regulamenta os alimentos e os remédios) emitiu em dezembro uma decisão preliminar dizendo que é seguro o consumo de leite e carne de alguns animais clonados. "Isso vai demorar muito para chegar aos supermercados da Europa", disse Best.

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