Cientistas dizem ter identificado gene da coceira

Descoberta pode levar a medicamento específico para controlar o incômodo.

BBC Brasil, BBC

26 Julho 2007 | 14h16

Cientistas dos Estados Unidos anunciaram ter descoberto um gene associado à coceira, o que pode representar uma esperança de tratamento para pessoas que sofrem com o problema. O gene, chamado GRPR (sigla em inglês de "receptor de peptídeo que libera gastrina"), foi encontrado em células da medula de camundongos. Segundo os estudiosos da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis, o gene fornece instruções para a fabricação de um receptor de proteína nas células da medula que reage a sinais de coceira enviados pelo cérebro. A descoberta foi feita quando eles estavam realizando pesquisas sobre a relação entre genes e a sensação de dor. Historicamente, os cientistas sempre acreditaram que a coceira era, na verdade, uma versão amena de dor, mas o gene provou que as duas sensações estão associadas a mecanismos genéticos separados. Em um experimento em laboratório, os estudiosos retiraram o gene GRPR de camundongos e descobriram que a reação deles a estímulos dolorosos não havia mudado. Por outro lado, quando eles injetaram nos camundongos um composto que simulava a ação do GRPR, as cobaias começavam a se coçar freneticamente. "Foi quando pensamos que o gene pudesse ter relação com a sensação de coceira", disse Zhou-Feng Chen, que liderou a pesquisa. Em seguida, os cientistas realizaram novos testes com camundongos sem o GRPR, criados em laboratório. Quando expostos a agentes que provocavam coceira, eles se coçavam muito menos que cobaias normais, com o gene GRPR atuando normalmente. Segundo ele, a identificação do gene e de seu efeito "sugere que drogas podem ser usadas para suprimir a sensação de coceira sem afetar a sensação de dor". "E como a dor pode ser um importante sinal de proteção, que adverte para (sinais de) perigo (no organismo), pode ser vantajoso ter medicamentos anticoceira que não comprometam nossa capacidade de sentir dor." Casos de coceira crônica podem estar associados a problemas de pele, como o eczema, ou a doenças mais sérias, como problemas nos rins ou no fígado. O incômodo também é um efeito colateral de certas terapias para o câncer ou do uso de analgésicos fortes, como a morfina. Nos casos mais severos, a coceira pode provocar dificuldade de dormir e cicatrizes na pele. Hoje em dia, há poucos tratamentos disponíveis para o problema. A pesquisa liderada por Zhou-Feng Chen foi publicada na última edição da revista Nature. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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