Andrew Winning/Reuters
Andrew Winning/Reuters

Cientistas fazem reconstituição de rosto do rei Ricardo III

Esqueleto foi encontrado embaixo de estacionamento depois de 500 anos

Reuters

05 de fevereiro de 2013 | 14h37

LONDRES - Com queixo largo, nariz proeminente e levemente arqueado, e lábios delicados, o "rosto" do rei da Inglaterra Ricardo III foi revelado nesta terça-feira, 5, um dia depois de pesquisadores confirmarem que seus restos mortais tinham sido finalmente encontrados depois de 500 anos.

Uma equipe de arqueólogos e cientistas de uma universidade anunciaram na segunda-feira que o esqueleto que tinha sido encontrado em setembro passado, debaixo de um estacionamento em Leicester, era, de fato, de Ricardo, o último rei inglês a morrer em batalha, em 1485.

Devotos de Ricardo, que fizeram campanha durante muito tempo para restaurar sua reputação, orgulhosamente revelaram na terça-feira uma reconstrução em 3D da cabeça do monarca há tanto tempo desaparecido, apresentando-a aos jornalistas como "Sua Graça Ricardo Plantageneta, Rei da Inglaterra e França, Lorde da Irlanda".

Eles disseram que o rosto parecia simpático e nobre - não o de um homem descrito por William Shakespeare como um monstro deformado e repugnante que assassinou seus sobrinhos, os "Príncipes na Torre". "Espero que vocês possam ver nesse rosto o que eu vejo nesse rosto, que é um homem tridimensional em todos os sentidos", disse Philippa Langley, da Sociedade Ricardo 3o, que liderou a busca de quatro anos para encontrar os restos reais.

"Não parece a face de um tirano. Se você olhar nos olhos dele, realmente é como se ele pudesse começar a falar com você", disse Langley aos repórteres.

Uma imagem computadorizada em 3D do rosto foi criada baseando-se em um scan tirado do esqueleto de Ricardo depois que ele foi encontrado em uma cova rasa nas ruínas de um mosteiro, hoje localizadas sob o estacionamento do departamento de serviços sociais da Câmara Municipal da cidade no centro da Inglaterra. A imagem depois foi moldada em plástico.

"SEM OLHOS OBLÍQUOS E BOCAS MALVADAS"

A reconstrução é fiel a uma avaliação anatômica do crânio, e cerca de 70% da superfície do rosto deve ter menos de 2mm de erro, segundo o professor de identificação craniofacial que a criou. Nenhum retrato de Ricardo foi usado para a principal reconstrução facial, embora os trajes, a peruca e algumas características como sobrancelhas, cor dos olhos e da pele tenham se baseado em pinturas do rei morto.

O resultado final realmente mostra uma forte semelhança com alguns retratos de Ricardo - mas sem alguns dos traços menos lisonjeiros que apareceram durante o reinado de Henrique 7.º, seu conquistador na Batalha de Bosworth Field em 1485, e da dinastia Tudor que se seguiu.

Langley disse que era um rosto sem as caricaturas dos Tudor: "Sem olhos oblíquos e bocas más, sem dedos em garra por baixo". Usando um chapéu de feltro negro, com os cabelos até os ombros, um dos quais era um pouco mais alto que o outro - de acordo com a descoberta, seu esqueleto tinha uma curvatura na coluna - a reconstrução mostra Ricardo, que tinha 32 anos ao morrer, com feições delicadas, quase femininas.

Seu corpo deve ser sepultado novamente na Catedral de Leicester no próximo ano, enquanto a reconstrução do busto assumirá um lugar de honra no centro de visitantes que será aberto perto do local onde o corpo repousou, em uma cova irregular e pequena, por mais de cinco séculos.

"Ver esse rosto foi na verdade o momento mais importante para mim, o momento mais extraordinário", disse Langley, explicando que o projeto tinha dois objetivos: encontrar os restos mortais para garantir um enterro digno e revelar o "verdadeiro Ricardo".

"Para mim, quando isso foi revelado e eu estava olhando para o rosto dele esse foi o maior momento. De repente, o objetivo de ver o verdadeiro Ricardo III, virou realidade, um sonho milagroso realmente se realizou".

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