Cientistas ganham Nobel de Física com estudo sobre expansão do universo

Ciência. Americanos revolucionaram teoria de que a velocidade da expansão estaria diminuindo desde o Big Bang; segundo os pesquisadores, processo ocorre em ritmo acelerado, o que indica que o cosmos pode estar caminhando para um futuro frio e sombrio

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2011 | 03h04

Três cientistas americanos ganharam ontem o Prêmio Nobel de Física pela descoberta de que o universo está expandindo em ritmo acelerado. A surpreendente revelação sugere que o cosmo pode estar caminhando para um futuro frio e escuro, ao invés de um repleto de calor e luz.

Em 1998, Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess apresentaram descobertas que revolucionaram a ideia convencional de que a velocidade de expansão do universo estaria diminuindo desde o Big Bang, há 13,7 bilhões de anos.

A revelação levantou uma questão fundamental: o que estaria por trás da expansão do universo? Os cientistas batizaram a misteriosa força de energia escura, mas ninguém sabe o que é.

"É um enigma, talvez o maior da Física hoje", afirmou o comitê do Nobel. Perlmutter, de 52 anos, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley e da Universidade da Califórnia em Berkeley, receberá metade do prêmio de US$ 1,5 milhão, cerca de R$ 2,8 milhões. A outra metade será dividida entre Schmidt, de 44 anos, da Universidade Nacional Australiana, e Riess, de 41 anos, astrônomo da Universidade John Hopkins e do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, em Baltimore.

Trabalhando em duas equipes distintas e independentes, eles procuravam medir a expansão do universo analisando a luz de dúzias de estrelas que explodiam - as chamadas supernovas. Viram que a luz era mais fraca que o esperado, mostrando que a velocidade de expansão do universo cresce a cada instante.

"Sem dúvida, é uma das grandes descobertas da história da ciência", afirma Paul Steinhardt, físico da Universidade Princeton. "As implicações ainda não são totalmente compreendidas pela ciência." O pesquisador recorda que uma consequência da descoberta é que, em 1 trilhão de anos, a distância entre as galáxias será maior do que o tamanho atual do universo inteiro. Assim, não será possível ver a luz de outras galáxias vizinhas.

Outra consequência é que o universo vai se tornar gradualmente mais frio, à medida que a matéria se espalha por distâncias cada vez maiores no universo, afirma Lars Bergstron, do comitê do Nobel.

Notícia. Schmidt jantava com a família em Camberra, na Austrália, quando o telefone tocou. "Suspeitei quando ouvi a voz sueca", afirma o pesquisador. "Minhas pernas fraquejaram e precisei andar um pouco para recuperar o controle da situação."

Riess ficou boquiaberto quando recebeu o telefonema do comitê do Nobel em sua casa, em Baltimore. Ouviu também um sueco do outro lado da linha. "Percebi que não era da Ikea", brinca, referindo-se à empresa sueca de móveis pré-moldados.

Perlmutter recorda que, de início, não acreditou nos resultados da sua pesquisa. "Depois de meses, finalmente você consegue acreditar", diz. "Não é mais uma surpresa." Hoje, a Academia Sueca anuncia os vencedores do Nobel de Química. / AP

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