Cientistas ligam grandes incêndios ao aquecimento global

Cientistas de todo o mundo todo acompanham a elevação das temperaturas, o ressecamento das terras e vastas florestas desaparecendo em chamas. Na taiga siberiana e nas Montanhas Rochosas canadenses, no sul da Califórnia e na Austrália, pesquisadores encontram evidências cada vez maiores ligando os grandes incêndios florestais à mudança climática, um impacto previsto há tempos pelos teóricos do aquecimento global.Uma equipe da Scripps Institution, da Califórnia, em um relatório publicado neste mês, aponta que as temperaturas mais elevadas provocaram um derretimento precoce da neve e, conseqüentemente, um verão mais seco, gerando um fator determinante dos grandes incêndios que vêm atingindo o oeste americano nos meses de verão já há três décadas.Pesquisadores já haviam chegado a conclusões semelhantes no Canadá, onde o fogo destrói 6,4 milhões de acres a cada ano, comparados a 2,5 milhões no início dos anos 70. E um artigo científico de especialistas russos e canadenses que será publicado em breve denuncia ligações entre o aquecimento e incêndios na Sibéria, onde 2006 já se tornou um ano de fogo extremo, o sexto mais violento dos últimos oito. Na Austrália, 2005 foi o ano mais quente já registrado, e a perigosa estação dos incêndios torna-se cada vez mais longa. "Temperaturas em elevação estão intimamente ligadas ao aumento da área queimada no Canadá e, eu diria, no mundo", disse Mike Flannigan, pesquisador do Serviço Florestal Canadense. Nadezda M. Tchebakova, climatologista do Instituto Sukachev de Florestas, da Rússia, afirma que as temperaturas do inverno no sul da Sibéria, no período 1980-2000, foram de 2º C a 4º C superiores à média anterior a 1960.O Painel Intergovernamental de Mudança Climática, uma rede de cientistas patrocinada pela ONU, prevou há tempos que as secas de verão agravariam os incêndios florestais. E o aquecimento prosseguirá enquanto gases do efeito estufa, produzidos pela atividade humana - principalmente o dióxido de carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis - continuarem a se acumular na atmosfera.

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