Cientistas pedem rede mundial para avaliar mudanças na Terra

Relatório da Fundação Nacional de Ciências (NSF, na sigla em inglês) dos EUA pede estudos novos e mais intensos da chamada "zona crítica" do planeta Terra, a camada que vai do topo das árvores mais altas ao lençol de água do subsolo, para que seja possível prever os resultados das mudanças causadas pelo homem e, no final, preservar a capacidade dessa zona de produzir alimentos.Entre os dados citados no relatório, há a constatação de que, nos últimos 300 anos, de 30% a 50% de toda a superfície sólida da Terra, e mais de 50% de toda a água doce foram usados por seres humanos; pastagens e lavouras já competem com as florestas pelo título de maior bioma da terra, a despeito de a proporção de área plantada por habitante do planeta ter decrescido de 0,5 hectare para 0,35 hectare; e pelo menos 20% das espécies de plantas nos continentes não são nativas."O desenvolvimento econômico está tendo um grande efeito na zona crítica", diz o cientista Donald Sparks, da Universidade de Delaware e co-responsável pelo comitê que escreveu o relatório, Frontiers in Exploration of the Critical Zone. " Transformar algumas das melhores terras do mundo em prédios, estradas e concreto tem implicações na qualidade do ar, da água e na biodiversidade. No longo prazo, pode ameaçar nossa capacidade de produzir comida".O relatório pede a formação de uma Rede Internacional de Exploração da Zona Crítica. "Precisamos entender como organismos vivos interagem com a terra numa escala de um bilhão por metro, e também entender a escala das paisagens, como esses efeitos mudaram ao longo do tempo geológico e como mudarão no futuro", diz Sue Brantley, da Universidade Penn State e outra co-responsável pelo texto.

Agencia Estado,

01 de agosto de 2006 | 17h41

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