Cientistas propõem origem para galáxias de matéria escura

Galáxias compostas quase que exclusivamente de matéria escura, que não interage com a luz, espalham-se pelo Universo. Diferentemente das galáxias normais, esses sistemas, conhecidos como anões esferoidais, contêm muito poucas estrelas, quase nenhum gás, e até recentemente não havia explicação para sua origem. Agora, uma equipe internacional de cientistas propõe, na revista Nature, um mecanismo que poderia dar conta tanto do conteúdo elevado de matéria escura quanto da tendência dessas anãs sombrias de existir nas proximidades de galáxias muito maiores.Segundo um dos autores da teoria, Stelios Kazantzidis, os resultados são interessantes porque "baseiam-se numa combinação de efeitos físicos que nunca havia sido postulada". Ele acredita que a explicação oferece um caminho para "uma compreensão mais completa da formação da estrutura do Universo".Usando simulações em supercomputadores, os cientistas descobriram que uma galáxia dominada pela matéria escura começa sua vida como um sistema normal. Mas, ao se aproximar de uma galáxia muito maior, ela se vê diante de três pressões ambientais - "pressão de aríete", "choque de maré" e o fundo cósmico de ultravioleta - que a transformam em uma sombra de matéria escura.Há cerca de 10 bilhões de anos, quando as galáxias que dariam origem às anãs de matéria escura, na época ainda ricas em matéria comum, foram atraídas pelas galáxias maiores, o Universo estava repleto de uma radiação conhecida como fundo de ultravioleta. Conforme a galáxia menor girava em torno da maior, chamada hospedeira, essa radiação aquecia a matéria comum. Esse estado de coisas permitia que a "pressão de aríete" - uma espécie de resistência que a galáxia sente ao acelerar pelo espaço - arrancasse o gás da galáxia menor.Ao mesmo tempo, ao se aproximar da hospedeira, galáxia-satélite sentia uma atração gravitacional cada vez maior, que roubava suas estrelas. Ao longo de bilhões de anos, a galáxia menor passa pela maior diversas vezes, e a cada passagem, a satélite perde algumas estrelas, num efeito conhecido como choque de maré. Combinados, esses efeitos eliminam quase toda a matéria luminosa da satélite, deixando para trás apenas a matéria escura.A matéria escura, por sua vez, não é afetada pela pressão de aríete ou pelo fundo de ultravioleta, sugerem os cientistas. E, embora a matéria escura responda ao choque de maré, essa força não basta para arrancar pedaços consideráveis do material.

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2007 | 18h45

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