Cientistas sugerem substituição de reatores nucleares

Nos Estados Unidos, grupo defende que o urânio seja trocado pelo tório, substância menos radioativa

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2012 | 03h06

Quase um ano depois do desastre nuclear de Fukushima, um pequeno grupo de cientistas e empreendedores americanos tenta convencer a opinião pública de que vale a pena substituir os tradicionais reatores de urânio nos Estados Unidos. Eles propõem a utilização de um novo combustível e de um novo tipo de reator.

O combustível seria o tório, um elemento químico cinza muito abundante, batizado em homenagem ao deus nórdico do trovão. É menos radioativo que o urânio e produz menos lixo radioativo, segundo seus defensores. Além disso, seria menos propenso a ser utilizado em armas nucleares.

Eles defendem a ideia de adaptar as plantas para usar o tório ou utilizar um tipo totalmente novo de reator, chamado reator a flúor-tório líquido (LFTR, na sigla em inglês). O LFTR utilizaria uma mistura de sais químicos derretidos para esfriar o reator e para transferir energia da reação de fissão nuclear para a turbina que produz energia.

Defensores do modelo dizem que tal sistema seria mais eficiente e seguro que as plantas em operação. Elas utilizam água pressurizada para esfriar o combustível nuclear e água fervente para transferir a energia produzida pelo urânio.

"Um reator de sal derretido não é um reator pressurizado", afirma John Kutsch, diretor da Thorium Energy Alliance, um grupo de Harvard. "Não utiliza água para resfriamento, então você não tem a possibilidade de o hidrogênio explodir, como vimos em Fukushima."

Além disso, argumenta Kutsch, um reator de tório consome um porcentual maior do combustível utilizado. "Cerca de 99% do tório é queimado na reação", afirma Kutsch. "Nos reatores de urânio sobrariam 4,5 toneladas de lixo atômico, enquanto que nos reatores de tório seriam só 136 quilogramas."

Críticas. A proposta, no entanto, não anima as empresas e pesquisadores responsáveis pelo projeto de construção de usinas nucleares nos Estados Unidos. Críticos argumentam que o custo para trocar a tecnologia não compensa os benefícios.

"Os fanáticos do tório não veem os problemas", afirma Dan Ingersoll, gerente de projetos em tecnologia nuclear do Laboratório Nacional Oak Ridge, no Tennessee.

Além disso, não há estoques disponíveis do elemento nos Estados Unidos. "Sinceramente, eu procuro boas razões para gastar bilhões de dólares em infraestrutura com algo que já está funcionando e sinceramente não encontro nenhuma", aponta Ingersoll.

Defensores do tório, como o ex-engenheiro da Nasa Kirk Sorensen, recordam que a substância é três ou quatro vezes mais abundante que o urânio no mundo. / AP

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