Cientistas vêem ameaça em plano de colonização da Amazônia

'O ronco das motosserras e os tiros de escopeta agora podem ser ouvidos das áreas de estudo', diz artigo

25 Julho 2007 | 19h41

Um cientista ou estudante ligado ao Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF) poderá ser o próximo mártir produzido pela ocupação desordenada da floresta Amazônica, depois da freira americana Dorothy Stang - isso é o que fica implícito em comentário publicado na edição desta semana da revista científica Nature, uma das principais do mundo, pelos pesquisadores Regina Luizão e William Laurance. Luizão é coordenadora científica do PDBFF, e Laurance é membro do Instituto Smithsonian de Pesquisa Tropical, baseado no Panamá.   O comentário denuncia a crescente ocupação de áreas próximas aos fragmentos de floresta estudados no projeto, que existe desde os anos 70, por colonos. "O ronco das motosserras e os tiros de escopeta agora podem ser ouvidos das áreas de estudo", diz o texto. "Ano passado, um dos acampamentos foi invadido, milhares de dólares em equipamento roubados, e um incêndio iniciado por colonos destruiu uma série de locais de estudo importantes".   "Pesquisadores de campo encontram, cada vez mais, caçadores armados que se aglomeram ao redor da área de estudo", afirma o artigo, e com incidentes do tipo tornando-se cada vez mais freqüentes, "muitos temem uma possível tragédia", como o assassinato de Stang.   O artigo acusa a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) de criar projetos de colonização dentro das áreas de estudo. Em nota distribuída à imprensa pelo Instituto Smithsonian, Laurance afirma diz que "compreendemos  que a principal preocupação da Suframa seja o desenvolvimento econômico", mas diz que "o benefício econômico dos projetos de colonização é muito baixo".   "Não queremos brigar com a Suframa", diz Regina Luizão, na mesma nota, "mas estamos desesperados. Isto é um grito de socorro".   Em nota, a Suframa informa que desde 2003 não são criados assentamentos próximos às áreas de pesquisa. "Ressaltamos que a Suframa tem buscado dar total apoio ao trabalho das instituições de pesquisa (...) sem prejuízo ao objetivo-fim do Distrito Agropecuário, que é o de possibilitar a atividade de produtores rurais", diz.

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