Circuito alternativo teve boa frequência nas madrugadas

Palcos do projeto Conexão Vivo abriram espaço para artistas e bandas como Isaar, Marku Ribas, Brasov e Lucas Santtana

Lauro Lisboa Garcia, RECIFE, O Estadao de S.Paulo

16 Dezembro 2009 | 00h00

Se para muitos artistas e bandas novos foi importante a exposição no palco principal do Marco Zero, quem tocou no circuito OffFeira, promovido pelo projeto Conexão Vivo, também se deu bem. Os shows nos palcos alternativos, montados na Torre Malakoff, no bar Burburinho e no Armazém 14 do Terminal Marítimo do Recife atraíram um bom público que atravessou as madrugadas ouvindo boa música. Mas a programação não se limitou às vizinhanças do Marco Zero: alguns desses mesmos artistas tocaram em outros dias em Olinda, no Alto José do Pinho e até num pub em Boa Viagem. Produtores e olheiros brasileiros e estrangeiros frequentaram esses palcos até com mais entusiasmo e interesse do que no Marco Zero. A qualidade de som, como no show de Lucas Santtana, era do mesmo padrão de qualidade do palco principal. Silvia Machete deu canja no show do Brasov, repetindo seu número em que confecciona e acende um cigarro artesanal rodando um bambolê.

A Banda de Música do Centro Profissional Criatividade Cultural, além da Torre Malakoff, chegou até a fazer uma apresentação na rua. Um dos shows surpreendentes na última noite foi o do mineiro Marku Ribas, com sua contagiante fusão de samba, rock e soul. Com um ótimo trio de baixo, guitarra e bateria, o cantor e compositor antecipou o repertório de seu próximo álbum, que começa a gravar em janeiro de 2010. É um bom momento de Marku, que andava meio fora de circuito. A atitude do público em seu show foi mais uma das boas surpresas da feira: mesmo com músicas desconhecidas, o público não dispersou.

Em outros shows, como de Lucas Santtana, do DJ Tudo e a Garrafada, Isaar e Catarina Dee Jah, a reação foi parecida e até melhor, já que grande parte da plateia conhecia bem o repertório, que não toca no rádio, muito menos na televisão. O público do Recife, como ocorre em Salvador, mostrou-se não só receptivo às novidades, mas interessado no que foge do óbvio. No Rio de Janeiro (ou até mesmo em São Paulo) provavelmente não daria muito certo.

Falou-se muito em "cadeia produtiva da música", mas segundo músicos que não veem tanto a música como negócio, o que mais importaria levar em questão é a "cadeia criativa". Um pouco do que o Conexão Vivo mostrou, com transmissão on line em tempo real, foi um pouco isso.

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