Círio de Nazaré reúne 2,3 milhões em Belém

Maior evento católico do País emociona romeiros, que fizeram procissão de 4,6 km pelas ruas da capital paraense; 800 pessoas foram atendidas

CARLOS MENDES, ESPECIAL PARA O ESTADO / BELÉM, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2011 | 03h03

Maior evento católico do País, o Círio de Nazaré, que se realiza há 219 anos pelas ruas da capital do Pará, mobilizou ontem cerca de 2,3 milhões de romeiros, segundo cálculos da Polícia Militar, durante seis horas, num percurso de 4,6 km.

Símbolo da fé e do sacrifício humano, a corda de 400 metros que tradicionalmente é conduzida por dez mil pagadores de promessas, este ano, a pedido do arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, não foi cortada até que a santa chegasse a seu destino, a Praça do Santuário. Ano passado, a corda foi cortada a golpes de estilete e faca e, ao romper-se, levou ao chão e provocou ferimentos em dezenas de promesseiros.

O pescador Raimundo Oliveira percorreu a pé 150 km, do município de Mãe do Rio até Belém, para pagar uma promessa. Ele conseguiu um lote de terra e já começou a construir a casa onde pretende morar com a mulher e cinco filhos. "Participei de duas invasões de terra, apanhei da polícia, e fiz uma promessa para a santa se conseguisse um canto para viver. Consegui e vim agradecer."

"Já estive em Fátima, em Portugal, e em Lourdes, na França, acompanhando peregrinações católicas. Também conheço a peregrinação muçulmana a Meca, mas nada se iguala ao mar de gente que encontrei aqui. A fé do povo paraense contagia e emociona", disse o empresário catarinense Romeu Tadeshi, de 67 anos. Ele estava no meio da multidão, distribuindo água aos peregrinos.

Cerca de 15 mil homens das Polícias Militar e Civil, e das Forças Armadas, garantiram a segurança dos romeiros, enquanto 4 mil voluntários da Cruz Vermelha registraram mais de 800 atendimentos às pessoas que sofreram quedas, passaram mal e desmaiaram durante a procissão por causa do calor. Uma mulher sofreu aborto e foi levada para o Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti.

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