Ciro Gomes admite refletir sobre candidatura ao governo de SP

Caprichando no apelo nordestino, o deputado federal cearense Ciro Gomes (PSB), cotado para disputar o governo paulista, fez campanha nesta quinta-feira junto a cerca de mil metalúrgicos filiados à Força Sindical. Ele reiterou que sua candidatura em São Paulo é especulação, mas admitiu que está pensando na opção, ainda sem prazo para uma definição.

REUTERS

18 de junho de 2009 | 13h56

"Aqui não tem nordestino? Duvido", brincou Ciro no primeiro dos três discursos que fez no Congresso dos Metalúrgicos da Força Sindical.

Usando o boné da Força Sindical, Ciro fez questão de usar palavras como gerimum (abóbora) e intensificar o sotaque em termos populares como "ma o meno" (mais ou menos), numa nítida tendência de unir os sotaques paulista e nordestino.

Coube ao presidente da central, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), apresentar Ciro à plateia, tentando unir o passado paulista ao nordestino do colega.

"Você fez sua carreira no Nordeste, mas saiu de Pindamonhangaba e fez vida no Ceará", disse Paulinho, citando a cidade paulista onde Ciro, ex-governador do Ceará, nasceu.

Paulinho, um dos apoiadores da candidatura de Ciro em São Paulo ao lado do também deputado Márcio França, presidente do PSB-SP, perguntou a um dos auditórios a que cargo Ciro deveria se candidatar. "A presidente", gritou a maioria.

O metalúrgico Eduardo Santos, trabalhador da Bekun, discorda. "Para ser candidato a presidente teria que ter uma relação maior com o povo brasileiro, que ele não tem. Aqui em São Paulo a gente (metalúrgicos) faria o trabalho de divulgação", disse.

"Isto está no plano rigoroso da especulação. Não se sabe se será um fato ou se vai se esmaecer em especulação", reagiu Ciro na entrevista sobre a possibilidade de se candidatar em São Paulo.

Questionado se sua candidatura teria a vantagem de ser uma novidade no Estado, disse que "dizem que sim, estou pensando", mas adiantou que vai levar algum tempo para se decidir, porque a alternativa estava fora de seus planos. Até agora, Ciro pretendia disputar a sucessão presidencial.

O deputado considera legítima a reação contrária de integrantes do PT paulista, que tem pelo menos seis postulantes ao posto de candidato. "O PT faz muito bem, porque senão não seria o PT."

Após a saída de Ciro, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), líder do PT, esteve no Congresso dos Metalúrgicos e disse que é legítima a iniciativa de Ciro.

"Entendo que o PSB tem todo o direito de apresentar um nome ao PT, assim como o PT tem o direito de apresentar seus nomes ao PSB. E juntos vamos encontrar uma solução", disse Mercadante, ele próprio pré-candidato do PT ao governo paulista.

(Reportagem de Carmen Munari)

Mais conteúdo sobre:
POLITICACIROFORCA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.