Cirurgia bariátrica polêmica ganha apoio

Câmara técnica do CFM aprova, em votação esvaziada, técnicas ainda experimentais; médicos[br]denunciam manobra

Karina Toledo, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2011 | 00h00

A Câmara Técnica Sobre Cirurgia Bariátrica e Metabólica do Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou, no fim de março, a regulamentação de duas cirurgias consideradas experimentais por especialistas de todo o mundo. Uma delas é a gastrectomia vertical com interposição ileal, conhecida como cirurgia do Faustão depois que o apresentador Fausto Silva revelou ter se submetido ao procedimento.

Para ter validade, a decisão precisa ser referendada pelo plenário do CFM. Médicos que compõem a câmara técnica afirmaram ao Estado que o tema foi incluído na pauta da reunião que deve ocorrer nesta semana.

Ontem, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica divulgou carta de repúdio à "falta de transparência no processo de aprovação das novas técnicas". Segundo o texto, no dia da reunião, sete dos nove membros que compõem a câmara técnica estavam nos Estados Unidos, participando Congresso de Intervenção para Terapia do Diabetes Tipo 2. "Não existem ainda na literatura médica estudos clínicos em número suficiente para que seja possível aplicar tais técnicas com a devida segurança", diz a carta.

O médico Orlando Pereira Faria, que é membro da câmara técnica e pertence ao grupo excluído da reunião, diz que a decisão causou um sentimento de revolta no meio médico. "Estão querendo aprovar as técnicas de maneira rápida e com interesses que não são o bem-estar da sociedade."

A interposição ileal está proibida desde o ano passado por liminar da Justiça. O médico que criou a técnica, Áureo Ludovico de Paula, está sendo processado por ter operado diversos pacientes sem protocolo de pesquisa e por ter cobrado pelo procedimento. A outra técnica aprovada foi a bipartição gástrica, criada pelo médico Sérgio Santoro.

Procurado, o CFM negou por meio de sua assessoria a aprovação das técnicas. Depois voltou atrás, quando o Estado revelou ter a ata da reunião. Em nota, o órgão afirmou que "os encaminhamentos realizados no âmbito de suas comissões e câmaras técnicas não possuem caráter terminativo."

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