Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE

Cirurgia cardíaca menos invasiva é desenvolvida em SP

Em vez de operação de peito aberto, mais arriscada, um implante é feito por uma incisão de 5 cm para corrigir desgaste em válvula

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2011 | 00h00

Implante desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Braile Biomédica, de São José do Rio Preto, promete corrigir desgastes na válvula do coração sem precisar abrir o peito do paciente, num procedimento mais simples e rápido que o realizado atualmente pelos médicos.

O grupo criou uma válvula artificial, feita com pericárdio bovino (a pele que reveste o coração do boi), que pode ser implantada no paciente com a ajuda de um cateter, inserido por meio de um corte pequeno.

O implante é indicado para uma doença chamada estenose aórtica grave - um desgaste ou calcificação da válvula que regula o fluxo sanguíneo do coração para a aorta. A maioria dos pacientes com o problema é idosa, o que torna a cirurgia tradicional, feita com o peito aberto, de altíssimo risco.

Pela nova proposta, o tempo da cirurgia cai de 2 horas para 40 minutos e a recuperação, que leva de dois a três meses, ocorre em cerca de 15 dias. O corte, que na cirurgia convencional chega a 30 cm, resume-se a uma incisão de 5 cm.

O aparelho, com diâmetro médio de 24 cm, é prensado, introduzido no coração com um cateter e inflado com a ajuda de um minibalão, fixando-se na parede do coração. O processo todo é acompanhado em monitores com imagens de raio X.

Ainda em fase experimental, o implante já foi testado em 128 pacientes. Desses, pelo menos 20 estavam internados sem condições de alta e, depois de operados, deixaram o hospital.

Batizada de Inovare, a válvula aguarda aprovação Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser produzida comercialmente.

"Um estudo mostrou que 31,8% dos pacientes com estenose aórtica não podiam ser operados pelo método tradicional, por isso tivemos o impulso de fazer uma coisa menos invasiva", explica o cirurgião Domingo Braile, fundador da Biomédica. "Investimos R$ 3 milhões para desenvolver o projeto", conta.

A empresa estima que, assim que receber autorização para comercializar a válvula no País, receberá uma demanda de dez unidades por mês. Ela também pretende exportar o produto.

Inovação. Pioneira em válvulas cardíacas de pericárdio de boi - a primeira foi feita em 1973 e hoje são 70 mil fabricadas -, a Braile está envolvida em outro projeto inovador. Em cooperação científica com outras instituições, vai lançar próteses para substituir porções do aparelho digestivo suprimidas em razão do câncer.

Entre os produtos, uma prótese permite ao paciente submetido à retirada do esôfago voltar a se alimentar pela boca.

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