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Cirurgia como última cartada

Dona de casa não conseguia fazer exercícios nem regime, então seguiu os passos da amiga

, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

A dona de casa Gabriela Ibrahim Zornitta, de 27 anos, sempre foi uma criança acima do peso e fez dieta durante a adolescência. Passou por vários médicos, fez tratamento em clínicas de estética e tomou vários tipos de remédios - tentou até antidepressivos. Chegou a fazer terapia com o objetivo de tentar emagrecer.

Perdia alguns quilinhos, alcançava o peso ideal, mas sempre voltava a engordar quando interrompia o uso da medicação. Ela diz que seus esforços para tentar emagrecer nunca deram resultado. Por isso, optou pela cirurgia de redução de estômago. Operada há pouco mais de 20 dias, Gabriela já perdeu 8 quilos.

Gabriela lembra que a primeira consulta a um endocrinologista ocorreu em companhia da avó, quando ela tinha 16 anos. "Naquela época, eu estava uns 15 quilos mais gorda. Eu era muito cobrada pela minha família por causa disso", conta.

Foi orientada a tomar uma medicação, conseguiu emagrecer, chegou a se matricular em uma academia, mas não conseguiu levar o projeto para a frente. "Não adianta, eu não gosto de fazer academia. Eu até tentei, mas sempre interrompia depois de quatro, cinco meses."

Ela explica que sua obesidade era resultado de metabolismo lento e propensão a engordar. Reconhece, entretanto, que não consegue abrir mão de um doce depois do almoço.

"Minha alimentação sempre foi boa, não tenho colesterol alto, não como fritura. O problema é que eu como muito fora de casa. Meu maior pecado é a sobremesa. Não consigo almoçar sem comer sobremesa", diz.

A opção cirúrgica. Entre idas e vindas, dietas e exercícios, médicos e nutricionistas, Gabriela passou os últimos dois anos sem conseguir perder nenhum quilo. Nem com ajuda de remédios. Sofria com os efeitos colaterais e decidiu que não tomaria mais nenhuma droga.

Acordava todos os dias e pensava: "Hoje eu começo uma dieta". Mas não conseguia levar o plano adiante. Em novembro, quando se pesou, levou um susto. "Fiz o cálculo do índice de massa corporal (IMC) e falei para mim mesma: "Estou doente.""

Naquele dia, Gabriela percebeu que não dava mais para ignorar o problema da obesidade. E decidiu seguir os passos de uma amiga, também obesa, que optou pela cirurgia bariátrica. "Ela fez faz mais de um ano, sobreviveu, está bem. Não tive dúvidas e falei: "Eu sou a próxima.""

No começo, o marido de Gabriela foi contra a cirurgia. Mas ela não desistiu e o convenceu a acompanhá-la nas consultas médicas. Os dois passaram por sessões de terapia antes de a cirurgia acontecer - aquela era uma decisão muito séria.

Gabriela procurou um cirurgião, fez uma série de exames e pensou em desistir. Diz que as pessoas a procuravam para contar "desgraças" sobre a operação. Mas ela não desistiu.

Realizada com o sucesso da cirurgia, Gabriela está em processo de recuperação e tem consciência das dificuldades. "Não tenho fome, mas tenho vontade. Comida tem cheiro. Estou dolorida, inchada, enjoada, durmo mal, só posso comer papinhas, mas sei que isso é só uma fase, vai passar", diz.

Para chegar ao peso ideal, ela tem de perder 42 quilos. "Pode demorar, mas eu tenho certeza de que vai dar certo. Estou feliz, tranquila e aliviada."

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