Mohamed Abd El-Ghany/Reuters
Mohamed Abd El-Ghany/Reuters

Cirurgiões plásticos terão de seguir protocolo do CFM

Conselho Federal de Medicina lança conjunto de informações mínimas para reduzir queixas [br]contra profissionais

Lígia Formenti / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2011 | 00h00

A consulta entre pessoas interessadas em fazer cirurgia plástica e o médico agora será guiada por uma espécie de lista.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou ontem um protocolo da cirurgia plástica, com informações mínimas que têm de ser passadas para o paciente e cuidados que os profissionais devem adotar em todas as fases do procedimento: desde a primeira consulta até a alta.

A expectativa é de que o documento ajude a reduzir as queixas feitas por pacientes contra profissionais.

Fruto de mais de dois anos de discussões da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do Conselho Federal de Medicina, o protocolo indica o básico.

Por exemplo, que médicos têm de informar como e onde a cirurgia vai deixar cicatriz, a necessidade ou não do uso de dreno depois da operação e o número do telefone, para que o paciente possa encontrá-lo depois de deixar o hospital.

Além de informações simples, o protocolo também traz dados sobre os cuidados do pré-operatório, as medidas adotadas na sala cirúrgica e espaço para justificativa, caso tenha ocorrido uma mudança no plano inicial - como a técnica ou extensão da operação feita no paciente.

O protocolo estará disponível no site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e, dentro de aproximadamente um mês, deverá ser adotado pelos profissionais. O documento, preenchido em duas vias (uma para o paciente, outra para o médico), não deverá substituir o prontuário médico, obrigatório.

"Além de melhorar a informação, o documento vai ajudar a reduzir o número de aventureiros nessa área", avalia o cirurgião plástico Antonio Pinheiro, integrante do comitê do CFM. Uma pesquisa feita em São Paulo durante 2006 e 2007 indica que 90% dos médicos que são alvo de reclamações de pacientes não eram especialistas em cirurgia plástica. De acordo com Pinheiro, o Brasil é o segundo país no mundo em número de operações, perdendo apenas para os Estados Unidos. As mais realizadas são para implante mamário de silicone e lipoaspiração.

De acordo com o CFM, em 2010 foram apresentadas 62 denúncias contra médicos que fizeram plástica, de um total de 963. A expectativa do CFM é fazer protocolos para outras especialidades médicas.

Importância

640 mil

cirurgias plásticas foram feitas no Brasil em 2009; delas, 82% foram realizadas

em mulheres

444

processos contra cirurgiões

plásticos foram registrados no Conselho Federal de Medicina entre 2001 e 2010

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