Citi paga empréstimo de US$ 20 bi ao governo dos EUA

Objetivo do banco é retomar sua independência em relação ao Tesouro

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

15 Dezembro 2009 | 00h00

O Citigroup anunciou ontem que vai devolver US$ 20 bilhões ao governo americano. O pagamento faz parte de um plano pelo qual o Citi pretende pôr fim à sua dependência do Departamento do Tesouro - dono de 34% da companhia. Com isso, o gigante financeiro vai se ver livre das restrições e dos exames minuciosos a que foi submetido após Washington ter injetado US$ 45 bilhões na instituição, por meio do Programa de Recuperação de Ativos Problemáticos (Tarp), em 2008, para evitar o seu colapso.

O banco, um dos maiores do país, foi uma das instituições financeiras mais afetadas pela crise global. O acordo com o governo ocorre uma semana depois que o seu rival, o Bank of America, anunciou ter quitado a ajuda pública.

O plano do Citi prevê levantar US$ 20,5 bilhões com emissões de ações e de dívida, o que permitirá ao banco recomprar do Tesouro ações preferenciais no valor de R$ 20 bilhões. O banco também acordou pôr fim ao compromisso de compartilhar as perdas generalizadas por ativos problemáticos, de US$ 250 milhões. E decidiu distribuir a seus funcionários, a partir de janeiro, ações num total de US$ 1,7 bilhão no lugar dos salários.

O Departamento do Tesouro se mostrou satisfeito com os planos do Citigroup e reiterou que o governo nunca teve a intenção de ser acionista de uma empresa privada por muito tempo. Por sua parte, o Tesouro americano se comprometeu a vender o que restar de sua participação na companhia.

O Tesouro explicou que se propôs a vender no curto prazo ações comuns da entidade, no valor de até US$ 5 bilhões, e liquidar o resto num prazo entre 6 e 12 meses. Este ano, o governo dos EUA converteu ações preferenciais em ações comuns no valor de US$ 25 bilhões.

O presidente do banco, Vikram Pandit, afirmou que tem uma "dívida de gratidão" com os contribuintes e reconheceu a obrigação da entidade de apoiar a recuperação econômica com a concessão de empréstimos e assistência a proprietários de residências e outros que estejam em apuros.

Pagar de volta o dinheiro público dá impulso imediato ao Citigroup, mas o custo será pesado. Levantar capital vai diluir significativamente a participação dos atuais acionistas na empresa, e as ações do Citi caíram mais de 5%. A desvinculação e o pagamento dos US$ 20 bilhões obrigará a entidade a arcar com a perda de US$ 8 bilhões.

"Como foi manifestado muitas vezes este ano, prevíamos sair do Tarp somente quando estivéssemos convencidos de que era prudente fazê-lo", afirmou Pandit. "Com base em qualquer critério financeiro, o Citi está entre os bancos mais sólidos do setor e estamos em situação de apoiar a recuperação econômica", acrescentou.

WELLS FARGO

Após o anúncio do Citi, o banco americano Wells Fargo também divulgou que vai devolver os US$ 25 bilhões recebidos do programa Tarp. "Estamos prontos para devolver totalmente o Tarp, de maneira que sirva aos interesses do contribuinte americano, assim como a nossos clientes, funcionários e investidores", disse o presidente do banco, John Stumpf. O banco acrescentou que vai emitir US$ 10,4 bilhões em ações ordinárias, como parte do plano para sair do programa de resgate financeiro do governo."

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