Clássico das estrelas vale a liderança e a paz na Espanha

Barcelona e Real Madrid exibem seus craques num dos duelos mais esperados na Europa

Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

De um lado Messi, Ibrahimovic, Thierry Henry, Xavi, Iniesta... Do outro, Kaká, Cristiano Ronaldo, Benzema e Casillas, além de Raul (no banco de reservas, pronto para entrar a qualquer momento). Estrelas de vários países, entre eles o Brasil, estarão frente a frente nesta tarde para um dos maiores, senão o maior, clássico do futebol. Durante 90 eletrizantes minutos, Barcelona x Real Madrid, apelidado de "superclássico", tomará a atenção de fãs da bola hoje, no Camp Nou, valendo a liderança do Campeonato Espanhol.

A rivalidade de 107 anos, que teve seu pontapé inicial num 3 a 1 para o Barça, em 13 de maio de 1902, registra sua 239ª edição num dos melhores momentos das equipes. Ambos lideram suas chaves na Copa dos Campeões, vêm de vitórias importantes e estão separados por apenas um ponto no Espanhol, no qual a equipe merengue leva vantagem (28 a 27). Um presentão de Natal antecipado para quem gosta de um jogo vistoso.

O site do Barcelona promove, ou apimenta, o duelo com o maior rival. Traz a foto dos jogadores, todos eles, com semblante sério e a frase "En el clásico nos dejaremos la piel." Traduzindo: "No clássico, deixaremos a pele." Uma demonstração do espírito com que a equipe encara esses confrontos.

Bater o Real será a penúltima missão do Barcelona antes do embarque para Abu Dabi, nos Emirados Árabes, onde disputará, como campeão da Copa dos Campeões e grande favorito, o Mundial Interclubes - a despedida do país será na quarta-feira, diante do Xerez.

E nada melhor do que partir com uma vitória - seria a 98ª na história - diante do Real Madrid. "Eles têm uma pontuação melhor, mas jogaremos em casa e estamos muito motivados para conseguir a vitória", afirma o capitão Xavi, apostando num jogo equilibrado. "Os clássicos são partidas imprevisíveis, decididas em pequenos detalhes. Temos de dominar a bola e fazermos o que sabemos, que é atacar."

Apesar de evitar falar em equilíbrio, os números ao longo da história mostram que o clássico é marcado por placares elásticos e muitas goleadas. No último encontro, por exemplo, impiedosa surra do Barcelona, em pleno Santiago Bernabéu, por 6 a 2, no dia 2 de maio, na arrancada para o título da temporada passada. Barça que também já aplicou 7 a 2 e 5 a 0 e, por outro lado, levou 8 a 2 e 5 a 1. Sem contar um empate fabuloso de 5 a 5 nos anos 40. "Não iremos ao Camp Nou para esperá-los, vamos disputar a posse de bola e veremos o que ocorre", garante o goleiro Casillas. "Não jogaremos com nenhum medo e tentaremos neutralizar os jogadores mais importantes do Barcelona. Só temos preocupação com nós mesmos."

Na prévia do clássico, quinta-feira, deu vitória merengue por 3 a 0, gols de Cristiano Ronaldo, que volta a começar um jogo entre os titulares após 60 dias recuperando-se de lesão no tornozelo - atuou por 20 minutos diante do Zurich, pela Copa dos Campeões, na quarta-feira. O duelo da vitória, contudo, ocorreu no videogame, no jogo Fifa 10, num desafio entre Benzema e Xavi: 3 a 0 Real Madrid.

"Será uma partida difícil, mas o Real está preparado", diz Cristiano Ronaldo, confiante em boa apresentação, apesar dos preparativos para uma recepção nada amistosa. Os torcedores do Barcelona levarão enormes faixas ao Camp Nou com provocação ao jogador: "Ronaldo só existe um e não é português." A alusão é ao Fenômeno, que já defendeu os dois times e hoje está no Corinthians.

SOBRAM PALPITES

Nada como um superclássico para mexer com a opinião pública. Grandes nomes do futebol já arriscam seus palpites para esta tarde. "Dá gosto ver o Barça jogar. Não há quem não se encante com a forma como a equipe atua. Está mil vezes melhor do que o Real", opina o holandês Johan Cruyff, atual técnico da seleção da Catalunha, que defendeu e dirigiu o Barcelona.

"Sem dúvidas quero que ganhe o Real, mas, quando o Barcelona busca o resultado com seu jogo brilhante, ninguém pode se sentir mal, por mais torcedor madrilenho que seja", acrescenta o ex-volante Redondo, do Real.

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