''Clássico do povo'' em estádio à venda

Brinco de Ouro recebe Corinthians e Fla

, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

As duas maiores torcidas do País têm um encontro marcado amanhã, às 17 horas, em um estádio com os dias contados. Esse é o cenário para o decisivo clássico entre Corinthians e Flamengo no Brinco de Ouro da Princesa, de propriedade do Guarani Futebol Clube, em Campinas. A tradicional arena esportiva já teve venda aprovada pelo Conselho Deliberativo.

De acordo com o presidente Leonel Martins de Oliveira, o prazo para a conclusão da negociação é indefinido. Em troca de seu maior patrimônio, o clube quer o pagamento das dívidas - R$ 112 milhões (conforme balancete de dezembro de 2008) - e a construção de um novo campo, além de um moderno Centro de Treinamento. Ninguém revela valores nem o nome do interessado na compra.

O Brinco de Ouro dá um brilho especial à Avenida Princesa d"Oeste, um dos mais importantes corredores comerciais da cidade. Foi inaugurado em 31 de maio de 1953 e ampliado em 1978 com a construção do Tobogã. Hoje, a capacidade é de 30 mil pessoas, mas já recebeu 52.002, no jogo Guarani x Flamengo, em 1982. Foi palco de duas finais de Brasileiro. A primeira, em 1978, vencida pelo Guarani contra o Palmeiras. A outra, em 1986, que o São Paulo levou, após empate no tempo normal e prorrogação por eletrizantes 3 a 3. Nos pênaltis, 4 a 3.

Mas, de orgulho do interior, o Brinco foi sofrendo com o tempo e a deterioração. O clube também, com más administrações e falta de planejamento. Ao mesmo tempo que a dívida aumentava, o estádio perdia o charme. Hoje, sinais de envelhecimento são evidentes. A pintura está desgastada - o verde desbotou -, as arquibancadas sentem os efeitos da chuva e do sol. O estacionamento é pequeno. Os vestiários precisam se adequar às exigências do futebol mundial. O gramado foi alvo de reclamação dos grandes que passaram por lá, como o Corinthians no ano passado e o Vasco neste.

No local onde hoje existe o estádio devem ser construídos um shopping e um condomínio residencial. Nem a volta do time à Série A mudará esse destino. "A venda do estádio é a única forma de pagarmos nossa dívida. Saudosismo não paga a conta", lamenta o presidente.

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