Cliente, não faça

 Não há nada que irrite mais um sommelier que um cliente que não entende de vinhos, mas faz cena de connoisseur. Pega a taça pela haste (isto quando não pelo bojo) e levanta acima dos olhos à procura da luz. Ou, pior, reclama que a bebida está estragada quando, na verdade, o vinho não é bem o que ele esperava.

Patrícia Ferraz e Janaína Fidalgo,

07 Setembro 2011 | 19h31

Pedir a ajuda do sommelier não é demérito. Ele fez a carta, conhece o cardápio e está ali justamente para ajudar. E se for bom, em poucos minutos vai descobrir o tipo de bebida de que você gosta e quanto pretende gastar. Comunicação clara é a garantia de um bom desfecho nessa relação.

“Há clientes que pedem um vinho suave quando querem dizer leve”, diz Gianni Tartari, sommelier que já passou pelo Gero, Fasano e Enoteca Fasano. “A negociação tem de ser clara para os dois lados. O cliente precisa perder o medo de falar com o sommelier. Dizer o que gosta de beber, especificando ou o país, ou a região, ou a uva.”

E como deixar claro quanto você pretende gastar? “Existem formas de falar de dinheiro sem falar de valores. Quando alguém diz o que costuma beber, o sommelier identifica a faixa de preço e dá duas opções, uma no teto e outra no piso, para ele escolher.”

Outro “fora” comum é o cliente pedir decantação quando não é necessário. “Se pedem para decantar um vinho barato, a gente simplesmente decanta. Já aprendi que tentar argumentar não compensa o desgaste. Se o cliente não conhece vinhos, não vai adiantar discutir”, diz Tiago Locatelli, do Varanda Grill.

Isto quando o vinho não é “bochechado” como se fosse um antisséptico bucal. “Tem gente que só falta fazer gargarejo”, diz Daniela Bravin, que foi sommelière nos restaurantes de Benny Novak.

Agora, se a ideia é esnobar o sommelier, não deixe de aprender a lição de número 14 de François Simon.

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